Um dos maiores jogadores de vôlei de todos os tempos, Giba enxerga Londrina como uma cidade com condições de desenvolver um projeto sólido e de longo prazo na modalidade. Em entrevista ao podcast Folha Conecta, da FOLHA, conduzido também por João Carrara e com participação como convidado do secretário de Estado do Esporte, Hélio Wirbiski, o campeão olímpico ressaltou a necessidade de apoio da cidade e trouxe um exemplo europeu inspirador.

“Aprendi uma lição morando e jogando na Itália. Quanto menor a cidade, maior a chance de se desenvolver e crescer no esporte. Um exemplo é Modena, que há 87 anos mantém um time de vôlei profissional”, afirmou Giba, referindo-se à cidade italiana de pouco menos de 200 mil habitantes, que abriga um dos principais clubes da modalidade na Europa. “Em Modena, é sempre o nome da cidade e o de um patrocinador, e qualquer prefeito que entre jamais deixa o projeto morrer. É isso que digo para Londrina: temos condições, atletas e apoio da cidade, mas falta continuidade”, completou.

Atualmente, o Londrina Vôlei é o principal representante da cidade na modalidade. A equipe feminina disputa o Campeonato Paranaense, os Jogos Abertos e está na Superliga B. Na temporada passada, levou bons públicos ao Moringão, e na temporada 2025/26 a meta é brigar pelo acesso à elite.

Giba também relembrou a tradição da cidade no voleibol, destacando nomes que ajudaram a consolidar a identidade local no esporte. “Na primeira seleção que peguei com 16 anos, tive o Percy (Oncken) como professor. Ele atuou em Portugal e hoje é técnico da seleção no Egito. Temos também o Fumaça, o Nei e outros que se formaram através do esporte. A ligação com o esporte forma pessoas, e a cidade gosta, Londrina valoriza (o vôlei)”, disse o ex-atleta, medalhista olímpico de ouro em 2004 e prata em 2008 e 2012.

Segundo Giba, o potencial do Paraná no voleibol é histórico, mas muitas vezes pouco aproveitado. “Em 2007 ou 2008, a seleção brasileira Sub-18 tinha 11 atletas paranaenses, mas nenhum jogava no estado. Temos material humano e, cada vez mais, podemos elevar o estado com orgulho no cenário nacional”, afirmou.

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O ex-jogador também comentou sobre as mudanças na formação de atletas ao longo dos anos. “No mundo esportivo, sabemos o sacrifício necessário para alcançar alto rendimento. No meu tempo, a alimentação após um jogo era arroz, feijão e ovo, ou carne quando havia. Hoje, os atletas fazem exames de sangue e têm whey protein hidrolisado com sabor de cookie. Sem dúvida, poderíamos ter feito diferente, mas era o que tínhamos”, contou, bem-humorado.

Ele ainda destacou a importância de incentivar quem está começando: “Antigamente, muitos atletas precisavam parar de jogar para trabalhar. Hoje, quando conseguem chegar à frente, poucos realmente chegam. É fundamental estar junto com o atleta, escutá-lo e apoiá-lo. Quem não chega precisa de incentivo para permanecer no esporte, algo que nem sempre tínhamos na minha época”.

O secretário Hélio Wirbiski elogiou o envolvimento de Giba na promoção do esporte de base no Paraná. “É uma honra enorme ter Giba conosco. Ele sempre emprestou seu nome para apoiar projetos de base, esteve nos Jogos Escolares em Toledo e Foz do Iguaçu, motivando os jovens e, muitas vezes, custeando sua própria ida para incentivar as crianças. Isso é essencial para formar atletas e cidadãos”, disse.

Giba voltou recentemente a morar no interior. O ex-atleta reside em Bandeirantes, a cerca de 100 km de Londrina, onde participa de um projeto em um resort recém-inaugurado. Além disso, Giba atua como palestrante e é embaixador da ONU Turismo. Nas redes sociais, tem conquistado grande destaque, compartilhando vídeos com técnicas de vôlei e comentando momentos marcantes de sua carreira. Sua conta no Instagram já ultrapassa 1,3 milhão de seguidores.

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