Na ânsia de não deixar suas equipes morrerem, os gestores acabam se deixando levar pela paixão. Diante da dificuldade de conseguir um apoiador para seu projeto, muitos deles acabam assumindo compromisso com a FEL sem uma garantia concreta, apenas com a promessa de que terá um patrocínio para a temporada inteira.
Isso já aconteceu em outras oportunidades e deixou muitos gestores com problemas. O futebol feminino é mais um a ter seu final de temporada comprometido. Acreditando que conseguiria os R$ 30 mil para resgatar a verba acordada no convênio com a FEL, o coordenador Cláudio Fontes assumiu compromisso com atletas e montou um time para disputar o Campeonato Paranaense.
O torneio até já acabou, mas ficaram as dívidas. Depois de retirar duas parcelas, faltou dinheiro para resgatar a terceira, no valor de R$ 22 mil, e ele ainda corre contra o tempo para tentar garantir a contrapartida para retirar a última de R$ 12 mil. "Em março, a gente tinha várias promessas de patrocínio, mas acabaram não se concretizando", defende-se. "É um erro, a gente sabe. Mas o desejo de ajudar a modalidade sobrepõe o risco", justifica o microempresário, que trabalha com a modalidade em Londrina desde 2011 e já foi obrigado a tirar R$ 30 mil do próprio bolso na primeira temporada para quitar dívidas.
Em 2014, ele calcula que, se não conseguir resgatar a última parcela, fechará o ano com um deficit de R$ 18 mil. "Vamos ter que dar um jeito. Pagamos em 2011 e vai ser pago agora de novo", promete. Pior para as jogadoras que ainda seguem aguardando o pagamento de suas ajudas de custo.
Situação semelhante vive o futsal feminino. A coordenadora da equipe, Vanda Sanches, conta que na época da assinatura do convênio, faltavam R$ 9 mil, ou seja, quase 10% do valor total da contrapartida. Mas ela acreditou em promessas feitas por parceiros e mesmo assim entrou com o projeto. O problema é que a dívida já aumentou e está na casa dos R$ 14 mil. A situação ficou ainda pior depois que a pivô Letícia rompeu os ligamentos do joelho e teve que passar por uma cirurgia que custou cerca de R$ 8 mil ao time. Para sacar algumas das parcelas durante o ano, ela e a técnica Jayne Borim tiveram de tirar dinheiro do próprio bolso para garantir a retirada do recurso municipal. E ela ainda conta com o que tem a receber para poder retirar a última parcela do Feipe, de R$ 10 mil.
Hoje, Vanda admite ter errado ao assinar o convênio sem possuir a totalidade do dinheiro da contrapartida. "É um erro, quando você tenta dar continuidade, é preciso ter a coisa na mão", diz, justificando que deixou a paixão falar mais alto. "Não gostaria de interromper de novo, se isso acontecer, não volta. Faço porque fui eu quem praticamente criou tudo isso aqui, para não deixar morrer, mas chega uma hora que cansa. Confesso que já não tenho mais a mesma empolgação de outros anos. É uma luta constante, e o pior é que não vemos perspectiva de melhora em relação à iniciativa privada", desabafa Vanda, que revela já estar cansada e propensa a parar.
É PRECISO MUDAR
Para o diretor técnico da FEL, Jéfferson Del Fraro, os gestores têm que mudar a forma de pensar o Feipe. "O problema é que quer se trabalhar com esporte, mas se busca apenas a contrapartida. E se quer montar o projeto, se trabalha de forma invertida. Tinham que ter esse valor para depois vir aqui na Prefeitura, mas eles esperam primeiro sair o edital para ver quanto vai ser e depois buscar o dinheiro da contrapartida", critica.
"Na verdade, o que acaba acontecendo é que a gente mantém (o projeto), pois ficamos responsáveis por dois terços do valor. No meu modo de entender, um esporte que recebe R$ 100 mil da Prefeitura, teria que ter três vezes mais vindo da iniciativa privada. A nossa parte teria que ser a menor", defende o presidente da FEL, Márcio Corrêa. "E quanto mais a gente mexer nessa relação, maior vai ficar essa dependência. Se a gente passa para 30%, por exemplo, estaremos aumentando a dependência. E isso é ruim não só para a Prefeitura, mas para todo mundo", continua. (R.S.)

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