São Paulo - A classificação para a segunda final da Copa do Brasil seguida foi a prova definitiva de que os últimos resultados do Coritiba não ocorreram por obra do acaso. ''Quanto mais trabalho, mais sorte eu tenho'', brincou o presidente do conselho administrativo do clube, Vilson Ribeiro de Andrade. Ex-CEO do banco HSBC, ele foi o responsável pela elaboração do projeto que está transformando a equipe paranaense de time deficitário e rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro em um clube de respeitável quadro de associados e gestão moderna.
Andrade, que é advogado, conta que a ideia de ser dirigente de futebol jamais havia lhe ocorrido. ''Quando o clube foi para a segunda divisão (em 2009) e tomou aquela punição (perdeu o mando de jogo de 30 partidas e foi multado por causa de tumultos no estádio Couto Pereira), quis ajudar elaborando um plano de recuperação. Mas na ocasião ninguém queria assumir a presidência''. Pudera. Além de ter de administrar um time recém-rebaixado, o quadro associado era de 2,5 mil pessoas e o orçamento anual era de R$ 30 milhões.
Andrade tomou para si o comando e começou a colocar em prática um projeto que aplicaria sistemas de gestão empresarial no futebol. ''Ele se baseou em quatro grandes iniciativas'', explicou. ''A primeira foi reestruturar o quadro de dirigentes e profissionalizar todas as áreas do clube, a segunda foi fazer uma auditoria'', relatou. ''Depois, fizemos uma reavaliação de todas as áreas do Coritiba - como plantel, infraestrutura e estádio - e, por fim, detectamos o que era possível valorizar no clube''.
Andrade conta que foi elaborado um plano de trabalho para os próximos cinco anos do clube paranaense. ''O objetivo é zerar o déficit e fazer com que o clube dispute as principais competições nacionais em pé de igualdade com as melhores equipes''.
Com todos os objetivos definidos, era hora de colocar tudo em prática. O quadro executivo, remunerado, tem metas a cumprir e é avaliado a partir de indicadores de performance, conhecidos como ''kips''. ''Tudo é classificado em quatro cores: azul, quando a meta foi cumprida no prazo e o trabalho está encerrado; verde, quando o cumprimento da meta está no tempo previsto; amarelo, quando há atraso; e roxo, quando está complicado. O executivo já é chamado a se explicar quando chega no amarelo''.
A paixão é desafio extra. ''O mais complicado no processo foi aliar o projeto aos resultados no campo''. Mas, felizmente para Andrade, eles começaram a aparecer. O orçamento subiu para R$ 72 milhões e o quadro de associados é de 31 mil.
Tudo quase perfeito para Andrade não fosse um adversário inesperado - um câncer no intestino. ''Me afastei das funções apenas por um mês e meio. Agora trabalho normalmente''. A experiência, enfrentada com a ajuda da família, fez com que o dirigente pensasse em legado. O sonho é criar um complexo esportivo para beneficiar, principalmente, comunidades carentes. E para os palmeirenses, o dirigente dá seu recado: ''Se perder, o Coritiba vai vender caro''.

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