Gestão do futebol é coisa para profissionais
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sábado, 06 de setembro de 2008
Julio Cesar Lima<br>Equipe da Folha 
A falta de maior profissionalismo nas gestões dos clubes brasileiros continua sendo o maior empecilho para que o futebol no País ainda não seja tão rentável quanto poderia ser. E, assim, os clubes continuam a perder receitas e atletas para a Europa, onde o esporte é negócio, não ficando restrito apenas à paixão.
Essa foi uma das análises feitas pelo espanhol Ferran Soriano, ex-dirigente financeiro do Barcelona entre 2003 e 2008, que participou da Feira de Gestão, em Curitiba, nesta semana. "A gestão precisa ser profissional, com pessoas ligadas às suas áreas e que tratem o futebol de forma séria", disse.
Soriano esteve no clube, que junto com o Real Madrid soma faturamento de 484 milhões de euros, desde a implantação de um modelo considerado moderno para a administração do futebol. Segundo ele, isso foi possível por causa das reformas realizadas nos estádios, que dispenderam muitos recursos, mas em compensação, exigem um valor maior para o acesso ao clube.
"Esses investimentos permitiram e permitem cobrar valores mais altos, pois o torcedor será recompensado com uma boa estrutura", explica. Para ele, esse aspecto não irá criar a divisão entre torcedores pobres ou ricos. "Como tudo que vem crescendo no país, os setores das indústrias, por exemplo, assim também será no futebol. É um processo que chega por etapas e aos poucos vai sendo assimilado. Além disso, o poder aquisitivo dos torcedores também está crescendo", afirma.
Nesse aspecto, Soriano acredita que a Copa do Mundo a ser realizada no país em 2014 irá gerar um salto de qualidade nos estádios nacionais. "Pode acontecer um fenômeno similar ao que ocorreu em Portugal, pois a disputa da Copa Européia obrigou os clubes a modernizarem seus estádios e hoje Portugal tem os mais modernos estádios da Europa", avalia.
Em sua opinião, os clubes brasileiros também devem repensar seus acordos com as televisões e o uso de seus imagens. "Os clubes aqui ganham muito pouco das televisões. O Barcelona faturou R$ 400 milhões em TV. E também há um excesso de transmissões de jogos, então o produto tem uma exposição muito grande", diz.
Durante sua gestão no Barcelona, Soriano viu a chegada de dois dos maiores astros do futebol mundial: o camaronês Etoo e o brasileiro Ronaldinho Gaúcho. Ele diz que a saída de ambos, com menos pompa do que a chegada, foi uma coisa comum no futebol e que não há ressentimentos. Segundo ele, a saída dos dois craques, em choque com a torcida, foi avaliada como normal. "Foi uma parceria muito boa, o Ronaldinho fez muito pelo Barcelona, mas ele precisava de novos desafios e por isso chegamos a um acordo que foi bom para todos", afirma.


