Gerente deixa o Santos e acusa Leão
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domingo, 11 de abril de 1999
Por José Rodrigues 
Santos, 12 (AE) - O médico Marco Aurélio Cunha deixou hoje o cargo de gerente de futebol do Santos, depois de uma série de desentendimentos com o técnico Emerson Leão. E saiu criticando os métodos de trabalho do treinador. "A centralização, o poder excessivo é coisa do passado e o futebol moderno, com as empresas fazendo grandes investimentos, não aceita mais isso", disse ele, questionando: "algum clube vai investir milhões de dólares num clube para depois ficar a mercê de uma cabeça apenas?" Leão folgou hoje e não foi encontrado para responder as críticas do ex-gerente.
Marco Aurélio Cunha diz que enquanto defende a descentralização das tarefas, a utilização da moderna tecnologia esportiva e a proximidade com o torcedor, Leão "agia como um ditador". "O pensador se exila, enquanto o ditador é deportado ou degolado", disse ele, para em seguida fazer uma ressalva. "É lógico que não quero isso para ele", disse.
"O Leão sempre diz que a tecnologia não faz o futebol, que a infra-estritura é desnecessária, que basta campos de futebol para treinar e só trabalha pelo resultado, enquanto eu acho que o bom resultado se consegue com a comunhão de trabalho", disse Cunha. Para ele, o tipo de trabalho desenvolvido por Leão o credencia a ser técnico de times sem infra-estrutura. Quando um repórter perguntou se indicaria novamente o treinador a alguma equipe, Cunha respondeu: "só se for um clube pequeno, para ele tomar conta sozinho". E completou, irônico: "aí, ele vai fazer um grande trabalho, chegando em 4º ou 5º lugar".
Cunha citou uma frase que sempre ouviu do técnico para mostrar o estilo adotado: "ele sempre diz que só precisa dele e de um médico para dirigir uma equipe". Mesmo com esse temperamento, Leão não chegou a interferir no departamento médico, disse Marco Aurélio Cunha. Mas ele começou a cair justamente quando discordou de uma indicação de um colega. Hoje, ele não quis falar no assunto, mas um médico chegou a determinar uma infiltração no joelho do zagueiro Argel para antecipar sua volta à equipe e ele discordou. A infiltração foi feita, mas sem o resultado esperado e isso acabou retardando o retorno do jogador.
A partir daí ele passou a ser o segundo alvo preferido do técnico, logo depois dos árbitros de futebol. As trombadas se sucederam nas negociações de Claudiomiro - Leão criticou o valor acertado por Cunha - e Aristizábal - o treinador não gostou da ida do ex-gerente ao Morumbi tratar da prorrogação do empréstimo do jogador. Uma relação bem diferente da que os dois tiveram no Japão, quando trabalharam juntos no Verdy. "Só havia eu para ajudá-lo e ajudei em tudo o que podia", lembrou.
Como médico e amigo, Marco Aurélio Cunha ficou preocupado com o fato de Clodoaldo assumir a função de gerente de futebol, pouco depois de ter feito cirurgia cardiaca. "Ele vai encontrar os mesmos problemas, pois as pessoas não vão mudar e acho preocupante nesse momento ter aceito o cargo, mas seu amor pelo clube superou o cuidado com a saúde".


