São Paulo - O custo das arenas da Copa do Mundo de 2014 já beira os R$ 7 bilhões. Esse valor é aproximadamente 32% maior que a previsão inicial, de R$ 5,3 bilhões, estabelecida na Matriz de Responsabilidade em janeiro de 2010. E a tendência é a conta ficar ainda mais salgada. Há obras atrasadas - e a corrida contra o tempo sempre vem acompanhada de elevação de gastos -, outras em cujos orçamentos não foram considerados itens como gramados e cadeiras e a pressão da Fifa para que os prazos sejam cumpridos.
Controlar o orçamento é briga praticamente perdida. No entanto, quem quiser poderá fazer isso de maneira eficiente, recorrendo ao gerenciamento da obra. Por meio desse artifício, pode-se coordenar, e controlar, todas as operações e atividades de uma construção, além de zelar para que prazos e preços preestabelecidos sejam cumpridos. ''O gerenciamento é ótimo aliado em uma construção'', diz o engenheiro Marcelo Tessler.
Sócio da Tessler Engenharia, ele participou dos estudos técnicos da Arena Palestra, o futuro estádio do Palmeiras, e trabalhou em projetos para a arena do Corinthians. Sobre as obras da Copa, ele alerta: ''A hora (de controlar os orçamentos) é agora''.
Na realidade, já passou da hora, pelo menos nos casos em que os orçamentos iniciais tiveram um aumento bastante significativo. Tessler pondera que não conhece os contratos estabelecidos entre as sedes e as empresas responsáveis pela construção e reforma das arenas, mas considera que, se o projeto foi bem feito, não há motivos para que os preços sejam modificados. ''Se ninguém mudou o projeto, o contrato está bem definido e ninguém mexeu no projeto, não tem por que mudar o preço'', entende o engenheiro.
Claro que há situações que podem onerar uma obra, como o reajuste no preço de materiais utilizados e reajustes salariais. ''Mas normalmente os contratos já têm um gatilho automático para este tipo de situação'', explica Tessler.
Coberturas polêmicas
Há, no entanto, situações não previstas. É o caso das coberturas de dois estádios, o Maracanã e o Mané Garrincha. Na arena do Rio, que teve orçamento inicial de R$ 705 milhões e atualmente está em R$ 859 milhões, constatou-se que a cobertura teria de ser reconstruída, com valor estimado de R$ 197 milhões. Em Brasília, o custo do estádio divulgado a princípio (R$ 671 milhões) não contemplava vários itens, entre eles a cobertura.
No segundo semestre do ano passado, o governo do Distrito Federal acrescentou os R$ 175,8 milhões que serão gastos com a cobertura ao preço da obra - e o valor vai aumentar ainda mais, quando forem orçados outros itens, como o telão eletrônico.
Para o engenheiro Marcelo Tessler, negociar alguns itens separadamente, em vez de orçar tudo o que é necessário de uma só vez - quando da elaboração do projeto -, pode ser uma saída interessante. ''Isso porque contrata-se o serviço direto com o fornecedor e, assim, se evita o repasse à construtora'', conta.
Em relação ao Maracanã, ele não tem detalhes sobre o problema estrutural da cobertura, mas acredita que o contratempo possa afetar o cronograma da obra. ''É que a demolição não estava prevista'', avalia. E atrasos são inimigos perigosos para os custos.
Mão de obra
É aí que entra em campo um gasto que pode fazer estourar um orçamento, apesar de aparentar não ter um impacto tão grande assim: o da mão de obra. A necessidade de correr contra o tempo pode levar à contratação de maior número de funcionários, pagamentos de horas extras e outros custos com pessoal.
Se isso ocorrer e não se tiver um bom controle... ''Hora extra e outros gastos com pessoal só estouram orçamento se ele for malfeito. Quando se faz a programação financeira, isso já deve ser previsto. Se não houver mudança de projeto ou uma catástrofe, a responsabilidade é da construtora, não do contratante'', afirma Tessler.
No entanto, há um risco difícil de prever o impacto financeiro: greves, como a ocorrida na última semana na Arena da Amazônia. Lá, os operários conseguiram aumentar a cesta básica de R$ 37 para R$ 60; pagamento de 60% das horas extras durante a semana e 100% nos fins de semana. ''A tendência é esse custo extra ser repassado, mas é preciso ver o que consta do contrato'', recomenda o engenheiro.

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