Rio - Mais endividado (R$ 250 milhões) dos grandes clubes do Rio, o Flamengo luta para concluir as obras do CT Ninho do Urubu, em Vargem Grande (zona oeste). Mas a cada dia que se passa, a tarefa parece mais difícil. Nem academia foi construída no local. Enquanto isso, utiliza a Gávea, que nem sequer tem dormitório e refeitório. Em dia de treino integral, o jogador tem de almoçar fora do clube, o que prejudica o controle alimentar. Por isso, muitas vezes, os treinadores decidem realizar treino em apenas um período do dia.
''Com isso, o atleta não se alimenta bem, não faz o descanso sob supervisão do clube e o risco de lesão muscular aumenta'', observou o técnico do Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo, que, a exemplo de Ronaldo, se diz flamenguista, mas hesita em trabalhar no clube - já passou pela Gávea nos anos 90.
O Vasco, também envolto em dívidas - seriam superiores a R$ 200 milhões - dispõe do centro de treinamento Vasco-Barra, mas nem sempre faz uso do espaço, até por causa de suas deficiências. Faltam equipamentos e os campos também não são convidativos para a bola rolar com elegância, e a opção é por treinar mesmo em São Januário.
Assim como o Vasco, os demais clubes cariocas realizam há vários anos campanhas para atrair mais associados. A mais comum é a que diz respeito a adesão à categoria sócio-torcedor. Nenhuma delas, porém, avançou. Há quem aponte problemas de marketing nessas campanhas e, o que é mais grave, detectado por pesquisas patrocinadas pelos próprios clubes, o nível de desconfiança do torcedor de que o dinheiro não é aplicado com lisura acaba como o maior obstáculo para o sucesso da iniciativa. (A.E.)

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