Gaúchos são acusados de lavar dinheiro
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quarta-feira, 13 de dezembro de 2000
Agência Folha De Brasília 
Na véspera do depoimento do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, à CPI do Futebol, o Senado desferiu um forte ataque a Fábio Koff, ex-presidente do Grêmio e presidente do Clube dos 13, a associação que reúne os 20 maiores times do país. Ontem, a CPI apresentou documentos colhidos no Ministério Público da União no Rio Grande do Sul que, segundo os senadores, possuem fortes indícios de crimes contra o sistema financeiro.
As irregularidades estariam sendo praticadas pelo Grêmio e pelo Internacional. Fábio Koff era o presidente do Grêmio na época da suposta irregularidade e teria assinado em nome do clube pelo menos uma das transações suspeitas.
A quebra do sigilo bancário e fiscal do dirigente e dos clubes podem ser votadas na sessão de hoje comissão, que ouve o depoimento de Teixeira às 9h30.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) também deve pedir a quebra dos sigilos dos empresários Juan José Mateu Walter, Emil Todorov e José Maria Minguella Llobet, que intermediaram os negócios suspeitos. Os três também devem ser convocados para depor.
A convocação de Fábio Koff já havia sido aprovada pela CPI por conta de seu cargo no Clube dos 13. De acordo com as investigações, as irregularidades podem ter ocorrido nas transferências entre clubes dos jogadores Jardel, Paulo Nunes, Gamarra e Christian. Não há operação cambial no Banco Central correspondente aos negócios. Pode estar configurado, entre outras coisas, um crime de cobertura cambial, disse Dias.
Koff assina o negócio de venda do atacante Jardel para o Porto, de Portugal, em 1995, e do atacante Paulo Nunes para o Benfica, também de Portugal, em 1997. Segundo a CPI, pela venda de Jardel, intermediada por Minguella, o Grêmio declarou o valor do passe em US$ 1,8 milhão. Um fax de Walter, que é agente credenciado na Fifa, indica para Minguella o número de uma conta bancária no exterior na qual o dinheiro foi depositado.
O Ministério Público chegou ao caso com base na investigação de um bingo do Rio Grande do Sul, onde foi encontrada uma cópia do contrato de Christian. Dessa negociação, que levou o jogador para o Paris Saint-Germain, da França, a CPI possui cópias de mensagens indicando números de contas no exterior e recibos de valores recebidos no Brasil, sem que haja registro das transações no BC. Esses negócios podem estar incorrendo em evasão de divisas, sonegação de impostos e lavagem de dinheiro, disse Dias.
No caso de Gamarra, que foi vendido do Inter para o Benfica, em 1997, a CPI tem cópia de um depósito de US$ 2 milhões no exterior. Assinam pelo clube no negócio Pedro Paulo Salvador Zachia, como presidente, e Paulo Rogério Amorety Souza, como vice. Não há registros nos clubes da existência de contas em nome das agremiações no exterior.
A CPI vai requerer à Procuradoria da República todas as informações disponíveis no Ministério Público sobre o caso. Para a CBF, a CPI do Futebol vai pedir os documentos relativos às transferências dos jogadores. A discussão e votação dos requerimentos relativos ao caso deverá ocupar boa parte do depoimento de Ricardo Teixeira, que inicialmente seria inquirido sobre as relações com a Nike. Os senadores também devem apresentar hoje o resultado de investigações feitas pelo BC na movimentação de outros clubes.


