"Gatos" devem ser eliminados do futebol
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quinta-feira, 28 de outubro de 1999
Por Sílvio Barsetti 
Rio, 29 (AE) - A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu cancelar o registro na entidade dos jogadores Sandro Hiroshi e Henrique, do São Paulo, e Bell, do Botafogo-SP. Eles foram pelo menos coniventes com a adulteração de seus documentos de identidade, onde teriam alterado as datas de nascimento e estão, desde hoje, impedidos de jogar futebol.
Os casos serão analisados possivelmente em novembro pela Comissão Disciplinar da Fifa e os três jogadores devem ser eliminados do esporte. "A punição será muito violenta", afirmou o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, logo depois de chegar da Suíça, onde passou três dias discutindo o assunto na sede da Fifa.
Teixeira deixou claro que o Brasil não corre nenhum risco de ser punido por causa das fraudes na documentação dos três atletas - eles disputaram competições oficiais pela seleção brasileira em condição irregular. "O Brasil estará na Copa de 2002 se obtiver a classificação nas Eliminatórias e qualquer insinuação em contrário é leviana." Ele lembrou que a suspensão ao México imposta pela Fifa, em 1988, foi motivada pela comprovação de que dirigentes do futebol daquele país estavam envolvidos na falsificação de documentos de jogadores que disputavam torneio classificatório para o Mundial sub-19. Na época, a Concacaf (Confederação da América do Norte e Central e do Caribe de Futebol) descobriu a farsa e encaminhou relatório à Fifa. A seleção principal do México acabou suspensa por dois anos. "O que ocorre agora é muito diferente", prosseguiu Teixeira.
Os três jogadores serão julgados também pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), que pode suspendê-los de 180 a 360 dias, por infração ao artigo 281 do Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF), cujo texto se refere "à falsificação de documento público ou particular, para o fim de usá-lo perante à Justiça Desportiva ou entidade dirigente do futebol." Esse artigo prevê a eliminação da prática do futebol a quem reincidir no erro. "A partir de agora, vai ser assim: a CBF vai cancelar o registro de jogadores que apresentem discrepância em documentos", garantiu o presidente da CBF. Após o parecer do TJD, a CBF remeterá os processos ao Ministério Público. "O Sandro Hiroshi, por exemplo, enganou a Polícia Federal, a Receita Federal, clubes, Federação de Futebol de São Paulo, CBF, Sul-Americana e Fifa", continuou o dirigente.
Os documentos de Hiroshi já foram entregues à Fifa. Os de Henrique e Bell serão enviados até quinta-feira. Campeão do Sul-Americano sub-17, este ano, no Uruguai, Henrique desistiu de embarcar, no sábado, para o Japão, onde a seleção brasileira sub-17 prepara-se para o Mundial da categoria. Ele informou ao chefe da delegação que não viajaria por causa de problemas na documentação, confirmados durante a semana pela CBF.
Um outro jogador, Anaílson, do Rio Branco-SP, vai ter toda a sua documentação checada pela CBF e pode sofrer a mesma punição. Ele também é acusado de ter adulterado a sua data de nascimento. Para Teixeira, é "impossível" à CBF verificar a documentação de todos os atletas nos "mais de cinco mil cartórios do País".


