Garoto do PR quer profissionalismo
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quarta-feira, 25 de dezembro de 1996
Edmundo Inagaki 
Descendente de japoneses, o peso galo curitibano Sidney da Silva Yamada, 16 anos, luta para se tornar profissional do boxe. O esporte está no sangue da família Yamada. O pai, Hitaro, é vice-presidente da Federação Paranaense de Pugilismo e um dos seus maiores incentivadores. Sidney foi o atleta mais novo a competir no 51º Campeonato Brasileiro de Boxe Amador, disputado em Londrina neste mês.
Bicampeão paranaense nas categorias mosca e pena, Sidney aprendeu a trocar os primeiros golpes aos seis anos, com o sócio do pai no negócio de recuperação de material cirúrgico, Negri da Silva Ribeiro, que agora é seu treinador. Comecei a aprender boxe no fundo do quintal de casa. Só depois de algum tempo é que passamos a treinar na Associação Curitibana de Boxe (Academia Ben Hur).
Negri está confiante no potencial do pupilo: O Sidney é um garoto de muito futuro e tem força de vontade. Essa primeira participação no Campeonato Brasileiro é importante para ganhar experiência, para aprimorar a base técnica. O treinador revela os planos a médio e longo prazo, para o jovem boxeador. Ele precisa continuar treinando forte a parte técnica e física para tentar participar da tradicional Forja de Campeões, em São Paulo. O objetivo maior é a Olimpíada de 2000, na Austrália.
Na avaliação de Negri, o nível do boxe paranaense poderia evoluir muito se houvesse maior apoio tanto do poder público como da iniciativa privada. A Federação propôs uma parceria ao Paraná Clube, mas ainda não recebeu uma resposta. Falta patrocínio e apoio para mudar essa imagem de que o boxe é um esporte marginal. Se houvesse incentivo, muitos garotos poderiam começar cedo no esporte, sem ilusão, aproveitando a curiosidade própria da idade. Mas a reivindicação mais importante é a criação de um calendário permanente.
Ele reconheceu que mesmo na base do improviso, alguns pugilistas têm conseguido obter resultados expressivos, chegando mesmo a surpreender nos campeonatos estaduais e nacionais. Isso mostra que temos de priorizar o trabalho de base, com nutricionistas e outros profissionais ligados à área esportiva, para acompanhar os atletas desde a fase de crescimento, como é o caso do Sidney. Atenção especial também para o trabalho físico e técnico, já que a partir de determinado estágio, o atleta deve treinar três, quatro e até seis horas por dia, completou.
Atualmente, São Paulo, Pará e Paraná são as maiores forças do boxe brasileiro. Nesta competição realizada em Londrina, os paulistas foram campeões em cinco categorias (pena - Weber Alexopolus, meio médio - José Luiz Rodrigues, médio ligeiro - Fernando Pereira, médio - José Ricardo Rodrigues e pesado - Marcelino Novaes), os paraenses em duas (galo - Roberto Pinto e leve - Plínio Rosário) e os paranaenses em apenas uma (mosca - Luciano Cardoso). Os demais vencedores foram José Archack (RS), na categoria meio médio ligeiro, Manuel Acosta (MT), meio-pesado, e Claudiomar Oliveira (MG), superpesado.


