São Paulo - A primeira caravana ninguém esquece. Pelo menos para as meninas do Comando Feminino, que realizam um batizado com as novatas. O de Gabriela Stefani Silva de Oliveira foi na ida à Vila Belmiro, quando teve de ficar no banheiro do ônibus pulando e cantando com mais duas meninas. ''Quando a gente parava de cantar, os outros jogavam água'', disse.
O ''ritual'' da Gaviões é mais tranquilo. Na verdade, é mais um costume das meninas, que só entram no estádio depois de 15 minutos do início do jogo. A mania sem explicação é levada a sério. ''A gente perde de ver o gol, mas não entra antes'', garantiu Andreza.
Mesmo num ambiente marcado por brigas entre torcidas rivais, ou no mínimo sob constante risco de violência, a maioria das garotas afirma nunca ter se envolvido em confusão. Pelo contrário, na presença delas, os homens reforçam a escolta, de acordo com Mayle.
Há situações, porém, inevitáveis, como relatou Andreza. Grávida de sete meses, ela foi atingida por gás de pimenta durante o histórico confronto com a Polícia Militar em 2006, no jogo em que o Corinthians foi eliminado da Copa Libertadores pelo River Plate, no Pacaembu. ''Mas foi a única vez que tive problemas'', afirmou.
A rivalidade entre as organizadas, no entanto, não diferencia gêneros. Se uma garota da Independente encontra um rapaz da Gaviões ou da Mancha disposto a brigar, não há cavalheirismo. Mais um motivo para as garotas se prevenirem. Em dias de jogo, as mulheres do Comando Feminino verificam a tabela do campeonato antes de pôr a ''farda'': camiseta da torcida tricolor. Em clássicos, só se trocam na sede.
Trajetória
Apesar do espaço conquistado entre os homens nas arquibancadas, as mulheres ainda estão longe de competir com eles em termos de número e poder de decisão. Na arquibancada, a participação feminina se limita a acompanhar o grupo, seguindo o ritmo ditado pela bateria. Já no setor administrativo, a presença é nula. Os cargos de diretoria continuam sob responsabilidade dos homens, realidade que não mudará, segundo a diretoria da Mancha Alviverde.
No entanto, a entrada de meninas é bem vinda, até pela mudança de imagem que elas provocam na mídia. ''Quando você vê uma mulher ou criança no estádio, tem a sensação de tranquilidade. Isso minimiza a associação da torcida com violência'', explicou Roberta. (A.E.)

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