Garota de 10 anos vence preconceito no futsal
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terça-feira, 09 de novembro de 2004
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
O caso de uma garota de sete anos que foi proibida de disputar o Campeonato Catarinense de Futsal da categoria fraldinha trouxe à tona a discussão sobre a presença de meninas em competições esportivas disputadas por meninos. Em Londrina, uma menina está disputando o Campeonato Metropolitano de Futsal. Gabriela Fernandes Vila, 10 anos, é titular da equipe do Pinheirinho/Ovetril, de Ibiporã, que ontem à noite disputaria a semifinal da categoria Sub-11 contra a AABB/Londrina.
No caso de Santa Catarina, a Federação de Futsal proibiu Mariana Cavalcantti de integrar a equipe de Blumenau. O clube chegou a obter uma liminar na Justiça dando o direito de Mariana jogar entre os meninos, mas a Federação conseguiu cassar a liminar. O caso não teve maiores desdobramentos, pois a equipe de Mariana foi desclassificada ao final da primeira fase.
Já Gabriela não teve problemas com a Justiça. Alguns diretores de clubes participantes do Metropolitano se opuseram à sua presença, mas a Liga Metropolitana de Futsal, promotora do evento, aceitou sua inscrição. O presidente da Liga, Osmar Obuti, disse que para o próximo ano será realizado um arbitral, antes do início do campeonato, e a Federação Paranaense de Futsal será consultada antes de serem aceitas inscrições de meninas.
Com mais de 35 anos dedicados ao futsal, Obuti acredita que até a categoria pré-mirim (sub-11) não há problemas de meninas jogarem entre os meninos, já que não existe tanta diferença física. ''Acima disso fica mais complicado''.
Mesmo inscrita, Gabriela conta que em pelo menos duas partidas do Metropolitano os técnicos de times rivais não queriam sua presença em quadra. ''Em um dos jogos eu marquei dois gols'', disse orgulhosa a menina que começou a se interessar por futebol entre os 3 e 4 anos. Ela seguia os passos do pai, o analista de sistemas Gerson Vila, que chegou a integrar as categorias de base do Londrina Esporte Clube. ''Ela não deixava eu ir jogar bola se não a levasse'', recorda o pai.
Percebendo as qualidades da filha, Vila decidiu incentivá-la e passou a ensinar fundamentos do futebol, como passes e chutes. Aos 7 anos, Gabriela passou a integrar a escolinha de futebol da Escola Santa Marta, onde cursa a 4série do ensino fundamental, sempre atuando ao lado dos meninos. A habilidade e a visão de jogo são suas maiores qualidades. ''Os meninos fazem questão de jogar ao lado dela'', frisa o pai, que insiste para a filha ser mais objetiva na frente do gol. ''Ela prefere passar a bola do que fazer o gol''.
O fato de ser o maior incentivador da filha não ilude o analista de sistemas. Ele sabe que Gabriela não poderá continuar jogando entre os meninos por muito tempo. Antes de permitir que ela começasse a treinar, Vila a levou a um ortopedista. ''O médico nos disse que ela poderia jogar entre os meninos até os 13 anos'', declarou.
Quando alcançar essa idade, Gabriela deverá procurar uma equipe feminina para atuar. Ela, inclusive, já treinou por dois meses com o time feminino do Grêmio Londrinense, mas não permaneceu por ser bem mais nova que as demais atletas. ''Eu quero continuar jogando futebol. Gostaria de jogar nos Estados Unidos onde é comum mulher jogar futebol'', ressaltou Gabriela.


