Em um templo do conhecimento, um gari fez todos se curvarem ante a sua melhor performance. Nos 5 km da segunda edição da Prova Pedestre Universitária, realizada na manhã de ontem na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Adriano Bastos chegou na frente e dedicou a vitória ao pai, morto no ano passado. No feminino, a experiente Adriana de Souza, de Ibiporã, venceu mais uma. Com largada em frente ao Centro de Educação Física, a prova contou com a participação de 659 atletas e teve todo o seu percurso delimitado dentro do campus.
A primeira a cruzar a linha de chegada foi a corredora Adriana de Souza. Acostumada a participar das mais importantes provas do país, ela confessou que teve que imprimir um ritmo forte para bater Patrícia Fernanda, sua oponente mais frequente. ''A gente está sempre rivalizando e nos últimos mil e quinhentos metros foi muito difícil, forte'', falou. Adriana completou a prova em 17 minutos e 54 segundos.
No masculino não teve para ninguém. Com o tempo de 14 minutos e 26 segundos, o gari Adriano Bastos venceu, convenceu e se emocionou ao dedicar a vitória ao pai Elizeu, que morreu no ano passado vítima de um câncer. ''Ele sempre foi meu maior incentivador, apesar das nossas dificuldades'', recordou o ganhador. Morador em Rolândia, Bastos revelou que o seu próximo projeto agora é faturar a Prova Pedestre de Londrina, em dezembro. ''Venho treinando forte para realizar este sonho'', completou o coletor de lixo.
E a vitória de Bastos acabou ilustrando o que a prova representa, um grande encontro de gente diferente em torno do esporte. ''Esta prova é importante porque possibilita a integração entre estudantes, professores, funcionários e comunidade em geral'', observou o reitor Wilmar Marçal, que antecipou que pretende engrossar a linha de largada no ano que vem com sua participação.
E mesmo para quem não tinha intenção de chegar na frente, a corrida foi uma oportunidade para celebrar a vida e pensar no futuro. Com 68 anos, o aposentado Lourival Bezerra de Moura era um dos mais animados antes do início da prova. ''É o segundo ano que eu corro e pretendo participar muitas outras vezes ainda'', avisou o veterano corredor que este ano vai para sua sexta São Silvestre. Bem menos experiente mas também com planos de fazer carreira no esporte, o estudante Marcelo Messi Mengue, 13 anos, veio com os colegas do Colégio Estadual Padre José Herions, de Rolândia, aprimorar a técnica em corridas. ''Vamos ver o que eu consigo'', disse timidamente antes do início da prova.

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