Era uma quarta-feira à noite, 5 de novembro de 1981. O Estádio Couto Pereira não estava lotado, mas estava cheio. A partida valia uma vaga na final do Campeonato Paranaense.
O Grêmio Maringá já tinha garantido sua presença na decisão ao sagrar-se campeão do primeiro turno. O Coritiba jogava pelo empate para ser campeão do segundo turno. Ao Londrina restava vencer o time da capital para se aproximar e muito do título do turno. Com os dois pontos garantidos na capital, bastava não perder no domingo para o Matsubara no Estádio do Café.
O Londrina foi grande naquela noite. Depois da partida, enquanto a torcida coxa-branca saía do estádio cabisbaixa, os comandados do técnico Urubatão Calvo Nunes enchiam o vestiário de euforia e já começavam a acreditar, de fato, na concretização do sonho de ser campeão estadual depois de 19 anos. ''Ganhamos muita confiança depois daquele jogo. Parecia que o pior já tinha passado'', relembra Carlos Alberto Garcia, um dos mais emblemáticos jogadores da história do Tubarão.
Entre tantos abraços e tanta esperança no triunfo final, havia espaço para refletir em como tinha sido difícil chegar até ali. Viver aquele momento, voltar aliviado, apreciar a paisagem monótona da Rodovia do Café, sorrir até no perigo das curvas da Serra do Cadeado. As sensações do pós-jogo se tornaram eternas para Garcia e para Nivaldo Ramos, o meia-ofensivo veloz que também tinha a humildade de marcar.
O futebol do Tubarão havia prevalecido sobre o favoritismo do Coritiba. No intervalo, o placar marcava 1 a 0 para o time da capital. Urubatão estava nervoso e instruiu o time aos brados no vestiário. Na volta, Zequinha, Luís Gustavo, Paulinho, Carlos Henrique e companhia voltaram diferente e tomaram conta do jogo. Garcia empatou logo de cara e Carlos Henrique fez o gol da vitória faltando 15 minutos. Momento raro. ''Não me lembro de outra vitória sobre o Coritiba na capital'', exemplifica Nivaldo.
O atual preparador físico do LEC, José Carlos Venturini, era massagista na ocasião. ''Sofremos uma pressão muito grande, terrível mesmo, nos minutos finais''. Nivaldo e Garcia concordam e atribuem o resultado a uma grande atuação do goleiro Neneca.
Para o jogo de sábado, quando o Londrina também terá que vencer o Coxa na capital para ter a chance de continuar sonhando com a quebra do tabu, Garcia, admirador de Marcelo e Marcelo Silva, aposta em 1 a 0. ''Mas esta é a voz do torcedor. Como ex-jogador sei que será muito difícil vencer. Teremos que jogar muito mais do que jogamos no VGD''. Nivaldo, fã de Rocha, tem outro palpite: 2 a 1. ''Só para ter mais uma coincidência'', diverte-se.

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