VGD, 9h30, reunião do Conselho Deliberativo (CD). O presidente do Londrina, Carlos Alberto Garcia, anuncia hoje se vai renunciar ao cargo que assumiu em dezembro do ano passado. Para permanecer, e não ver abortado o sonho de resgatar a credibilidade institucional do clube, Garcia quer o apoio da cidade. Para saldar dívidas trabalhistas, reduzir o déficit orçamentário, e ainda sustentar um time com o mínimo de dignidade na Série B do Campeonato Brasileiro, o clube precisa aumentar seu potencial econômico.
Neste contexto, a crise de relacionamento com a Rádio Paiquerê AM, considerada pelo clube a vilã pelo momento de instabilidade administrativa, ficou um pouco de lado. Garcia sempre considerou as críticas de comentaristas da emissora antiéticas e maldosas. Ontem, o presidente pareceu estranhamente mais condescendente com o que avaliava como pressão desleal. ''Você pode ter certeza que a decisão que eu tomar amanhã (hoje) não tem nada a ver com eles. Só espero que não interfiram no trabalho do Londrina'', resumiu.
O prefeito Nedson Micheleti (PT) foi o primeiro alvo da cruzada alviceleste em busca de ajuda. Na segunda-feira, Garcia recebeu o prefeito em sua casa para expor a difícil situação financeira pela qual o clube passa. Atualmente, levando-se em contas todas as despesas operacionais e folha de pagamento o Londrina gasta muito mais do que arrecada, um pecado para quem pretende restabelecer a saúde financeira.
Segundo Garcia, em quase seis meses de administração, o prejuízo chegou a R$ 150 mil. Mensalmente, o clube gasta mais de R$ 150 mil, sendo que as receitas são bem menores. O município colabora, via patrocínio da Sercomtel, com R$ 50 mil mensais. Da Futebol Brasil Associados (FBA), entidade que representa os clubes da Série B, são mais seis parcelas de R$ 70 mil. ''Isso representa R$ 35 mil por mês, e mesmo com a ajuda da Sercomtel, ainda é insuficiente para pagar as contas. Não gosto de atrasar nada. Quando você não tem condições de honrar os vencimentos, os problemas aumentam'', argumentou.
Segundo Garcia, o prefeito teria se comprometido a elaborar um projeto de captação de novos investidores. A perspectiva de um acréscimo no orçamento do clube pode motivar Garcia a permanecer no cargo. ''Espero que o prefeito diga que vai nos apoiar economicamente neste momento difícil'', afirmou. A Folha tentou buscar novas informações com o prefeito, mas o celular dele não atendeu as ligações.
Gerente regional de uma empresa de consórcios, Garcia disse ainda que não enfrentará problemas com sua chefia, caso continue como presidente do Londrina. A garantia, segundo ele, veio do próprio dono da empresa. ''Ele disse que me apoiará em qualquer decisão''.
Estão convocados para a reunião o presidente do CD, Walter Bittar, e 84 conselheiros.

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