Ganso se espelha em Kaká para ter sucesso
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Sanches Filho<br> Agência Estado 
Santos - Aos 20 anos, Paulo Henrique Chagas de Lima é um profissional estabilizado financeiramente, com salário mensal perto dos três dígitos, e contrato com o Santos até 2014. Conta ainda com o valioso patrimônio que é o seu futebol refinado. Daqui para frente, se houver alguma mudança na carreira, será para melhor, como uma transferência para a Europa.
No meio do ano, com a venda ao grupo DIS (Sonda) de 40% de seus direitos federativos, comprou um amplo apartamento para morar confortavelmente com a família no Canal Cinco, a menos de uma quadra da praia.
Se quisesse, Paulo Henrique poderia desfilar pela orla santista num reluzente conversível importado e se comportar como jogadores que se tornaram tão famosos pelas noitadas e a constante companhia de belas mulheres quanto pelo futebol que jogam ou jogavam.
Mas nada disso faz a sua cabeça. O camisa 10, que desperta cobiça de inúmeros clubes é diferenciado até fora de campo, se recusa a posar de celebridade. Fora da rotina de treinos e jogos, o meia gosta de curtir praia, ir a restaurantes, frequentar a igreja - é evangélico -, ler a Bíblia e ver muito futebol. ''Estou sempre ligado e não faço escolha'', contou. ''Assisto jogos de todos os lugares. Gosto de ver se tem alguma coisa nova, um drible, um jeito de passar a bola que eu possa usar''.
Ele se considera brincalhão e comunicativo e, embora tenha amizade com a maioria dos jogadores do Santos, é sempre visto com o amigo Neymar, até nos momentos de folga. ''Esse é parceiro de verdade. Além disso, nossas famílias se dão bem e, inclusive, vamos viajar juntos num cruzeiro durante as férias''. Nesta entrevista, Paulo Henrique fala de seus projetos de vida e do seu maior sonho: se tornar um jogador completo, como Kaká.
Agência Estado - Como foi a sua primeira passagem pela seleção brasileira?
Paulo Henrique Lima - Foi até uma surpresa para mim. Embora todos sejam garotos de qualidade que estão subindo agora, não houve individualismo e nem vaidade. Pelo futebol que a seleção (sub-20) mostrou, merecia ganhar o título, mas faltou um pouco de sorte na decisão contra Gana.
AE - Como você se imagina daqui a cinco anos?
Paulo Henrique - Como ídolo da torcida do Santos, depois de ter conquistado títulos, e estar brilhando, talvez no exterior.
AE - Quando você vendeu os 40% dos seus direitos a um empresário (Delcir Sonda), seu plano era comprar um bom apartamento para a família e trazer a noiva para Santos e se casar. O que está faltando?
Paulo Henrique - O apartamento eu comprei, mas a noiva eu não tenho mais. Quem sabe agora nas férias eu encontre a namorada certa. Na verdade, a minha preocupação era, em primeiro lugar, dar conforto à família, e só depois pensar em casamento. Meus pais se sacrificaram demais para que eu me tornasse jogador de futebol e não abandonasse os estudos (tem o segundo grau completo).
AE - Como é o seu relacionamento com Giovanni, que o indicou para o Santos?
Paulo Henrique - Ele não chegou a me ver jogar em Belém. Apenas atendeu ao pedido de uma irmã minha e me indiciou ao Narciso (técnico do sub-20 do Santos), em 2005. Nas poucas vezes em que conversamos, ele me disse para eu ter cabeça sempre, ajudar a família e treinar bastante, porque na hora do jogo tudo fica mais fácil.
AE - Quais são os jogadores que você mais admira?
Paulo Henrique - Alex (ex-Palmeiras). Ronaldinho Gaúcho, Cristiano Ronaldo... São muitos. Mas, eu me espelho mesmo é no Kaká. Como jogador, ele é um dos melhores do mundo e também é um exemplo como pessoa.
AE - Como foi o primeiro dia do paraense de 15 anos no Santos?
Paulo Henrique - Tinha um roupeiro que quando via um garoto chegando para fazer teste, gritava: ''lá vem mais um ganso (jogador ruim de bola, na gíria do futebol)''. Ao ouvir aquilo, fiquei com mais vontade de jogar no Santos. Mas, no primeiro dia, foi um sofrimento. Até tive vontade de desistir. Fiquei fazendo embaixada do lado de fora e nada de o técnico Lino me pôr em campo. Quase no fim do treino, eu entrei, peguei umas três vezes na bola e fui aprovado. Quando subi para o profissional, resolvi adotar o apelido de Ganso.


