Ganhar deles tem um gostinho especial
São Paulo - Há quatro décadas Jair Ventura Filho sente calafrios toda vez que vem à sua mente aquele que considera "o filme de sua vida". Ainda hoje, aos 64 anos, ele prende a respiração e enche o peito para falar do momento em que estufou as redes do Estádio Azteca. Eram transcorridos 26 minutos do segundo tempo, quando Jairzinho, à época com 24 anos, recebeu uma assistência de cabeça de Pelé perto da pequena área e praticamente entrou com bola e tudo no gol italiano. "Aquele gol fez com que eu me tornasse o único jogador a marcar em todas as partidas da Copa. Esse lance me dá arrepios até hoje", diz.
Aquele foi seu sétimo gol no Mundial e o terceiro da vitória na final contra a Itália por 4 a 1, numa tarde em que o Azteca, na Cidade do México, consagrou o futebol brasileiro como o melhor do mundo. O tricampeonato da Seleção canarinho trouxe a posse definitiva da Taça Jules Rimet e a coroação de um time de craques de verdade: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Rivellino e Gérson; Jairzinho, Tostão e Pelé, com Zagallo no comando.
"Um jogo entre Brasil e Itália sempre tem um significado importante. É um duelo muito especial porque é o confronto clássico entre a defesa e o ataque", afirma Jairzinho, consagrado no Mundial do México, em 1970, como o Furacão da Copa. "A Itália costuma armar as melhores defesas do mundo, muralhas quase intransponíveis dentro de campo", analisa. "E o Brasil, a gente já sabe... Mesmo que tentem mudar, a característica do nosso futebol é sempre jogar para frente. É uma coisa natural dos nossos jogadores."
"Não há como negar, ganhar deles é muito especial", admite, com conhecimento de causa, o Furacão da Copa de 70. (A.E.)





