Nuremberg - O desejo do torcedor ganês, cuja imagem reproduzida no telão do Franken-Stadion, em Nuremberg, exibia para cerca de 41 mil pessoas o cartaz com a frase ''After USA, we want Brazil''(Depois dos Estados Unidos, queremos o Brasil) foi realizado. Mesmo sem apresentar o futebol envolvente da vitória sobre a República Tcheca que a transformou numa das sensações deste Mundial, Gana derrotou os Estados Unidos por 2 a 1 graças a um pênalti inexistente marcado pelo juiz alemão Markus Merk e, como segunda colocada do Grupo E, será a adversária da seleção brasileira na partida do próximo dia 27, em Dortmund, pelas oitavas-de-final.
''Eles vão sofrer'', avisou o técnico Ratomir Dujkovic, repetindo o que dissera antes do jogo com os americanos. ''O Brasil é o melhor time do mundo, daremos o nosso melhor, esperamos causar outra surpresa.''
Dujkovic contará com os retornos de Sullei Muntari e de Gyan Asamoah, mas terá de encontrar um substituto para Michael Essien, a estrela da companhia ao lado do capitão Stephen Appiah. Jogador versátil, a melhor expressão do conjunto de virtudes que definem a equipe uma mistura de talento, força e velocidade Essien recebeu o seu segundo cartão amarelo logo aos quatro minutos do primeiro tempo, numa entrada por baixo em Reyna, e terá de cumprir suspensão contra o Brasil. Sem ele, Gana perde em vários aspectos: combatividade no meio-campo, boa distribuição de jogo e chegada constante no ataque.
No lugar de Essien, é provável que entre Otto Addo, que iniciou a Copa como titular mas perdeu a vaga após a derrota na estréia contra a Itália. Naquela partida, ele atuou justamente na cabeça-de-área, posição para a qual Djukovic deslocou Essien no jogo contra a República Tcheca e o manteve contra os Estados Unidos.
Mobilidade e rapidez são virtudes que Gana explora com eficiência, muito em função da força física de seus jogadores. O time joga num clássico 4-4-2 com variações ao longo das partidas, em especial para o 4-3-1-2. A aproximação dos homens de meio-campo aos atacantes torna a equipe extremamente ofensiva, e, por vezes, também lhe deixa vulnerável.
Toda essa flexibilidade, no entanto, por vezes leva à uma vulnerabilidade defensiva. Como os quatro homens de meio-campo estão em constante troca de posição e se aproximam com frequência dos atacantes, não raro surgem espaços na intermediária que o Brasil pode aproveitar. Os americanos faziam isso até Reyna perder a bola aos 22 minutos para Draman, que invadiu a área e tocou na saída de Keller para fazer 1 a 0.
Numa bobeira coletiva do meio-campo africano, Beasley fez boa jogada pela esquerda e cruzou na medida para Dempsey empatar, num belo chute de primeira. Foi então que o juiz alemão Markus Merk cometeu o erro que mudou a história da partida: aos 46 minutos, ele caiu na cena de Pimpong, que se jogou ao perder o lance para Onyewu. Stephen Appiah cobrou bem e marcou o gol de daria a classificação à Gana.


GANA 2

Kingston; Pantsil, Mohamed, Mensah e Illiasu Shilla; Dramani (Tachie-Mensah), Essien, Boateng (Addo) e Appiah; Pimpong e Amoah (Addo). Técnico: Ratomir Dujkovic

ESTADOS UNIDOS 1

Keller; Cherundolo (Johnson), Conrad, Onyewu e Bocanegra; Eddie Lewis (Convey), Reyna (Olsen), Dempsey e Beasley; Donovan e McBride. Técnico: Bruce Arena

Árbitro: Markus Merk (ALE)
Estádio: Frankenstadion, em Nuremberg
Gols: Draman aos 22, Dempsey aos 43 e Appiah aos 47 minutos do 1º tempo

mockup