Gamarra ameaça parar por falta de pagamento
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domingo, 21 de março de 1999
Por Arnaldo Ribeiro 
São Paulo, 22 (AE) - Jogador mais importante do Corinthians e capitão da equipe, o zagueiro Gamarra decidiu assumir de vez o papel de líder contestador. Hoje, o jogador ameaçou parar de jogar pelo clube no fim deste mês caso a diretoria não aceite pagar os seus salários na cotação do dólar do dia. Gamarra também acusou os jogadores brasileiros de serem passivos e aceitarem, sem reclamar, a maratona de partidas. Os dirigentes corintianos receberam a visita do procurador de Gamarra, Gilmar Veloz, para tratar da questão salarial do atleta. Segundo Veloz, o Corinthians pagou os ordenados de janeiro e fevereiro (Gamarra recebe cerca de US$ 90 mil mensais) numa cotação um pouco maior que a de dezembro de 98. Gamarra exige que o clube pague a diferença dos dois primeiros meses do ano e concorde em pagar as demais parcelas pela cotação do dia. "Não temos culpa pela desvalorização do real, disse Veloz. Gamarra disse que não vai ceder nas suas exigências. "A coisa vai chegar num ponto em que eu não vou jogar mais enquanto não receber meu salário integral, ameaçou. "O meu prazo para um acordo vai até o fim deste mês. Na mesma situação está o meia colombiano Rincón, outro que recebe em dólar.
Ele também quer continuar recebendo pela cotação do dia, mas, ao contrário de Gamarra, nem foi procurado pela diretoria para negociar. As dificuldades econômicas do Corinthians e o número excessivo de jogos no calendário brasileiro fazem Gamarra pensar seriamente em deixar o País ao final do contrato. A passividade dos jogadores brasileiros o irrita. "Os jogadores deveriam se unir e determinar um máximo de 50, 60 partidas por ano; caso contrário, deveriam parar de atuar, como a greve que fizeram na Argentina, afirmou. "Como não existe essa união aqui, nós temos de aceitar tudo.
Guerra - Gamarra só se mostrou tranquilo quando passou a falar do Cerro Porteño, seu time de origem e adversário de quarta-feira do Corinthians, na Libertadores. "Eles estão de técnico novo e motivados: vai ser o jogo da vida deles no torneio. Hoje, o Corinthians recebeu um comunicado dizendo que o jogo não será diputado no estádio Defensores del Chaco e sim no estádio do Cerro, chamado de "La Olla (a panela). "Esse estádio tem as arquibancadas mais distantes do campo do que o Defensores del Chaco, mas o gramado está pior, analisou.
O jogo de quarta preocupa e muito o meia Marcelinho Carioca. Eles entende que os paraguaios vão querer devolver de qualquer maneira a goleada de 8 a 2, obtida pelo Corinthians, no Pacaembu. "O clima vai ser de guerra, o pau vai comer, nós temos de estar preparados para levar pancada...nós vamos para lá de armadura, exagerou. Marcelinho disse que os jogadores corintianos tem conversado sobre a necessidade de suportar a pressão dentro e fora de campo. "O melhor seria a gente fazer um gol no início para esfriar tudo. O Corinthians vai enfrentar o Cerro com a equipe completa. Índio e Fernando Baiano foram liberados pela seleção sub-20 para esta partida, mas farão sua despedida na equipe. Eles não poderão jogar contra o Olimpia
na Sexta-feira.


