Uma nova reação do Gama na Justiça poderá mudar outra vez os rumos do futebol brasileiro neste ano. Depois que o Clube dos 13 anunciou a criação da Copa João Havelange – com 104 times e sem o Gama – para substituir o Campeonato Brasileiro, o clube brasiliense garantiu, ontem, que vai entrar na Justiça para impedir a realização do torneio. Se o Gama for bem-sucedido, o Clube dos 13 deve fazer nova retaliação, criando uma competição única, apenas com os times fundadores da entidade.
Para o time do Distrito Federal, a Copa João Havelange é uma tentativa de burlar uma determinação judicial. Segundo liminar obtida pelo Gama na Justiça comum, a equipe teria de ser incluída no Campeonato Brasileiro deste ano. ‘‘Vamos recorrer à Justiça, novamente, para garantir a realização do Campeonato Brasileiro’’, disse o presidente do Gama, Wagner Marques.
O dirigente informou que a ação será impetrada assim que forem divulgados a tabela e o estatuto da Copa João Havelange. Para Marques, a copa articulada pelo Clube dos 13 é ‘‘um boicote’’ ao Gama pelo fato de o clube ter entrado, no ano passado, com uma ação na Justiça comum para permanecer na Primeira Divisão.
Segundo Marques, o Gama irá apelar à Justiça para garantir sua participação em competições oficiais. ‘‘Esse é um direito que temos’’, lembra o presidente do Gama, ao assegurar que o clube não recuará na briga com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Clube dos 13. Marques entende ser a realização da Copa João Havelange uma ‘‘ameaça’’ ao futebol brasileiro e aos clubes pequenos, o que é o caso do Gama.
A briga jurídica do Gama com a CBF e, por tabela, com o Clube dos 13, começou em novembro do ano passado. Na ocasião, o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) deu três pontos ao Botafogo em um jogo que o time carioca havia perdido por 6 a 1 para o São Paulo. O clube paulista foi punido pela escalação irregular do atacante Sandro Hiroschi.
A decisão do TJD foi questionada e o Gama ganhou, por meio de liminar, o direito de continuar na Primeira Divisão. Mesmo assim, a CBF ainda não incluiu o time na tabela do campeonato deste ano.
Contra a Fifa – Na próxima semana, a diretoria do Gama entra com um recurso administrativo na Justiça suíça contra a decisão da Fifa, que suspendeu, há uma semana, o clube brasiliense de participar de qualquer competição oficial. A punição ao Gama foi uma represália à ação que impetrou na Justiça para continuar na Primeira Divisão do futebol brasileiro.
O advogado Heitor Tigre viaja ainda esta semana para Zurique, na Suíça, para ingressar com a ação. Nos anos de 1991/92, Tigre defendeu o Flamengo, também punido pela Fifa por ter questionado resultados do campeonato na Justiça comum. O advogado conseguiu derrubar a punição imposta ao clube carioca. ‘‘Vamos seguir o exemplo do Flamengo para fazer valer nossos direitos’’, disse Marques.

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