Desde que iniciou sua disputa jurídica para permanecer na primeira divisão do Campeonato Brasileiro-2000, o Gama, pela primeira vez, dá sinais de fraqueza e abre uma crise entre a direção do clube e sua base aliada, formada por políticos e advogados do Distrito Federal.
O presidente do Gama, Wágner Marques, afirmou que o clube pode aceitar disputar a segunda divisão do Brasileiro.
A declaração de Marques ocorreu no momento em que Paulo Goyaz, mentor da ação vitoriosa do Gama, encontra-se na Suíça. Goyaz, por sua vez, disse que não abre mão de levar a disputa judicial até o final.
Com o Gama rachado, o Clube dos 13 entrou ontem com um agravo de instrumento no TRF (Tribunal Regional Federal) de Brasília tentando cassar a liminar da Justiça que obriga a inclusão do Gama na elite da Copa João Havelange. Até as 19 horas de ontem, o agravo não havia sido apreciado pelo tribunal.
Em caso de sucesso do Clube dos 13, o Gama também poderá recorrer da decisão, dando sequência à guerra de liminares.
Ontem, no Rio de Janeiro, dirigentes do Clube dos 13 se reuniram com representantes da CBF e da Globo Esportes, braço da Rede Globo, que detém os direitos de transmissão do Nacional-2000.
Do lado do Gama, o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF) também está no Rio e se reuniu, também ontem, com dirigentes da CBF e do Clube dos 13.
Arruda, a exemplo de Goyaz e seus aliados, diz que não abre mão de o Gama jogar a primeira divisão neste ano.
A Copa João Havelange foi lançada pela associação dos 20 maiores times do Brasil como alternativa para a realização do Campeonato Brasileiro-2000. Mas seus organizadores não querem o Gama entre os 108 times da competição.
O sinal verde para a retomada das negociações partiu do próprio Clube dos 13 na semana passada, mas ganhou forte impulso ontem, quando Marques admitiu que o time pode jogar a segunda divisão do Nacional.
‘‘Nosso fôlego está diminuindo, estamos sofrendo pressão de todos os lados, até dos nossos jogadores. Mas não vamos desistir sem impor algumas condições’’, declarou Marques.
Até a semana passada, o Clube dos 13 e a CBF se mostravam irredutíveis na decisão de não deixar o Gama jogar neste ano, em qualquer divisão.
Tanto que a CBF pediu aos dirigentes da Fifa que entrassem no caso. A entidade máxima do futebol, então, suspendeu o clube do Distrito Federal.
Para disputar a segunda divisão, o Gama quer que a primeira divisão do Campeonato Brasileiro tenha apenas 20 clubes, sem Fluminense e Bahia, que foram alçados à elite da Copa João Havelange.
No Campeonato Brasileiro, no entanto, os dois permanecem na Série B, a segunda divisão.
Pela proposta do Gama, a Série B também teria 20 clubes neste ano, com cotas diferenciadas de participação para cada clube.
O Clube Brasil, associação que reúne 15 times da segunda divisão do Nacional – entre eles o Londrina –, disse ontem que aceita o Gama, sem problemas, na Série B do Brasileirão, desde que ela conte com apenas 20 clubes. Na Copa João Havelange elaborada pelo Clube dos 13, ela teria quase 40 times.

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