Belo Horizonte, 14 (AE) - Gallo conquistou a torcida do Atlético-MG e o respeito do público de Belo Horizonte na decisão do Campeonato Mineiro. O volante sofreu um corte no supercílio em uma dividida com um jogador do América-MG e permaneceu em campo até o final com a cabeça enfaixada. Virou sinônimo de raça, amor à camisa e acima de tudo, chutou de vez o rótulo de pé-frio que tentaram lhe aplicar depois que perdeu duas finais de Campeonato Brasileiro consecutivamente, em 1995 e 1996 com o Santos e a Portuguesa, respectivamente. "Ainda persigo este título mas com naturalidade, sem nenhum tipo de obcessão", afirma o capitão da equipe.
Foi quando ganhou o Campeonato Paulista de 1998 com o São Paulo que Gallo desabafou dizendo que estava encerrada a fama de perdedor. Um ano depois, voltou a conquistar um título estadual, agora em Minas Gerais.
Comedido, o líder da equipe atleticana evita entrar em assuntos polêmicos. "Ganhar ou perder uma final faz parte do futebol, o que vale mesmo é o trabalho desenvolvido ao longo da competição", afirma. "Sei que estou mais próximo de conquistar este título mas vou para o jogo do próximo domingo com naturalidade, como se fosse qualquer outra partida."
Voltar ao Morumbi traz satisfação para o jogador de 32 anos. Gallo acha que teve uma boa passagem pelo São Paulo, foi titular da equipe na maioria do tempo que ficou lá e não tem nenhuma queixa do clube que o dispensou no final do ano passado. Ele passou rapidamente pelo Botafogo do Rio antes de chegar a Belo Horizonte.
Gallo não acredita em coincidências e nem é superticioso. Isto o faz encarar com naturalidade o fato de pela terceira vez estar em uma equipe que vai disputar a final do Campeonato Brasileiro em uma partida comandada pelo árbitro mineiro Márcio Rezende de Freitas. Em 1995, suspenso, Gallo viu das tribunas do Pacaembu o Santos perder o título para o Botafogo-RJ em um erro do juiz que anulou um gol legítimo de Camanducaia.
"Erros acontecem", lamenta o jogador. "No ano seguinte o Márcio fez uma ótima arbitragem", acrescenta, lembrando a partida final na qual a Portuguesa, pela qual atuava, perdeu para o Grêmio em Porto Alegre por 2 a 0 após ter vencido o jogo de ida, no Morumbi, pelo mesmo placar.
Na moda - Após a vitória do Atlético-MG no domingo, Gallo foi liberado dos trabalhos na segunda-feira, para participar do programa da apresentadora Hebe Camargo em São Paulo. Trajando um terno de linho, o jogador revelou o seu lado vaidoso. "Gosto de me vestir bem", declara.
Há dois meses, Gallo decidiu entrar no ramo da alta costura. Ele montou uma loja de roupas finas femininas em Santos. "Não entendo nada de moda", garante. "A minha mulher é quem cuida do negócio."

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