Galeano troca até feijoada pela boa forma
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Paulo Guilherme
FOLHA no Google News
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Paulo Guilherme
São Paulo, 10 (AE) - O volante Galeano aprendeu que para ser aceito pelos torcedores é preciso uma dose extra de sacrifício. A disposição tem de ir além de um fôlego incansável e muita marcação no meio-de-campo. Para manter o melhor preparo físico do elenco, é preciso abrir mão de muitas coisas. Há muito tempo, por exemplo, Galeano não sabe o que é saborear uma feijoada.
"Eu procuro me cuidar muito fora de campo", destaca o jogador de 27 anos. "Até em casa, quando estou de folga, procuro comer aquilo que é recomendado pelos fisiologistas do Palmeiras para estar sempre bem alimentado e poder suportar esta maratona de jogos", explica Galeano.
Se fosse feita uma pesquisa entre os torcedores do Palmeiras sobre qual o jogador mais querido do time, certamente Galeano seria um dos últimos colocados. Formado pelo próprio clube, o volante aprendeu a conviver com a fama de "patinho feio" do Parque Antártica. Para o técnico Luiz Felipe Scolari, no entanto
Galeano tem a importância de um "super-homem".
Ele é o jogador que mais vezes atuou este ano: dos 48 jogos que o Palmeiras fez, Galeano jogou 43. Será ele o substituto do capitão César Sampaio no jogo de amanhã à noite, contra o Botafogo, e na primeira decisão do Campeonato Paulista contra o Corinthians, domingo. Com uma lesão muscular, César Sampaio será o principal desfalque do Palmeiras nestas partidas decisivas.
"Não há nada que o César Sampaio faça que o Galeano não possa fazer com a mesma responsabilidade", diz Scolari, destacando que o volante também aprendeu a exercer uma liderança dentro de campo. "E aqueles que estavam acostumados a vaiar o Galeano agora batem palmas pela disposição que ele demonstra a cada partida."
As vaias e perseguições dos torcedores são mesmo coisas do passado para o jogador. Ainda que não seja uma unanimidade entre os palmeirenses, o volante conquistou o seu espaço. "Sempre soube que um dia as coisas iriam mudar para melhor", conta Galeano. "Nunca desisti de lutar e, dessa forma, fui conquistando o respeito de torcedores e da imprensa."
Mesmo com o fôlego incansável, Galeano acha que o Palmeiras deve manter o revezamento entre os jogadores para poder chegar ao título das três competições que disputa simultaneamente. "É claro que nesta hora decisiva todo mundo quer jogar", afirma. "Mas devemos continuar com o que já vem dando certo desde o começo."