Maringá - A marcação foi planejada muito antes. A ordem era não dar espaço, marcar em cima e chegar o mais junto possível. Os fanáticos torcedores não saíram da cola dos jogadores do Corinthians durante todo o tempo que os galácticos permaneceram em Maringá. Os pedidos eram os mais variados, desde autógrafos e camisas até proposta de casamento.
A vontade de ver o ídolo de perto não tinha idade. Crianças, jovens, adultos e idosos se revezavam na procura por um lugar em que pudessem matar a curiosidade e realizar o sonho.
O contato mais intenso ocorreu logo na chegada. Um grupo de cerca de 150 torcedores tomou conta do espaço reservado para o desembarque da delegação no Aeroporto Sílvio Name Júnior, no final da tarde de terça-feira. Um solitário policial militar tentava, em vão, conter a multidão sedenta por um contato com as estrelas corintianas.
A exibição da foto ao lado do ídolo, ou mesmo de um autógrafo na camisa ou em um pedaço de papel que seja, era exibida como um valioso troféu. ''Achei que fosse ser mais difícil. Consegui pegar autógrafo do Roger, do Jô, do Gil, do Dinélson e do Wendel. É bom demais, não sei nem o que falar'', desabafou o estudante Leandro Perassoli, 18 anos, exibindo a camisa toda autografada e as fotos tiradas no aeroporto. Perassoli foi de Mandaguari para Maringá só para ver o time do coração de perto. ''É a primeira vez que vejo o Timão''.
Escoltado por batedores da PM, o ônibus seguiu para o hotel. Na chegada, mais tumulto. Na manhã de quarta-feira, os jogadores reservas e a comissão técnica fizeram um bate-bola no Country Club Maringá. O resultado foi mais aglomeração de fãs.
No hotel, a vigília continuou durante todo o tempo que o time permaneceu na cidade. Seguranças impediam que eles entrassem no saguão. Os gritos de guerra saíam de vez em quando. ''Todo poderoso Timão!'', gritavam os fãs.
Mas nenhum deles foi tão feliz como Guilherme Vieira Barbosa, 21, portador de Síndrome de Down. Corintiano fanático, ganhou de presente da mãe a estadia no mesmo hotel do time do coração. Não demorou muito e encantou a todos no hotel, imprensa, funcionários, hóspedes e quem ele tanto queria impressionar: os jogadores.
Vestido dos pés à cabeça com roupas e acessórios corintianos, tirou fotos e pegou autógrafos de todos eles. Se alguém perguntasse a ele como era o Tevez, a resposta estava na ponta da língua. ''Gente boa pra caramba, meu. É baixinho, careca. É lindo'', disse com muita empolgação. Mas não parou por aí. ''O Anderson também é gente boa. Tô muito feliz, meu, muito contente''.
Barbosa não teve inspiração para torcer pelo Corinthians. Numa família de santistas, é o único que não torce para o time da Vila Belmiro. ''Timão é Timão, tio'', não cansava de falar com um largo sorisso.
No estádio, a festa durou apenas oito minutos, quando o Cianorte começou a desenhar a vitória. Os gritos empolgados de apoio deram lugar a xingamentos impublicáveis. ''Não dá pra entender, é decepcionante. Entraram em campo desprezando o Cianorte e quem entra de salto alto, meu amigo, acontece isso'', esbravejou o agente de modas Eliseu Corrêa, 57, que saiu de Rolândia para assistir o jogo em Maringá. (T.M.)

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