GALÁCTICOS EM MARINGÁ - Muito assédio, poucos autógrafos e nenhum futebol
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sábado, 12 de março de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
A expressão de Márcio Bittencourt, supervisor do Corinthians e ex-volante campeão brasileiro em 1990, nas tribunas do Estádio Willie Davis na quarta-feira, define o que foi a melancólica passagem do clube por Maringá. A festa da torcida e o oba-oba desde a chegada da delegação no aeroporto até o início do jogo deram lugar a caras amarradas, cobranças da torcida e muitos palavrões principalmente de quem estava perto da alta cúpula corintiana.
Os jogadores talvez tenham se deixado levar pelo ambiente na cidade, totalmente favorável ao clube. Foram recepcionados por uma multidão na chegada. Sem policiais no local apenas um fazia a segurança do grupo os torcedores ''deitaram e rolaram'' com os jogadores. Alguns atletas não queriam saber de papo. Com a cara fechada de sempre, Fábio Costa passou rápido sem atender ninguém.
Tevez, bastante protegido e escondido, passou pelo povão quase sem ser percebido. Mesmo com as estrelas, o atacante Gil, prata-da-casa, foi o mais assediado pela torcida masculina. Recebia puxões de todos os lados e ficou preso um bom tempo no saguão do aeroporto.
Já o público feminino tinha uma missão. ''Eu tô aqui pra ver o Roger, é claro'', disse a estudante Juliana Modanês, 19 anos. Com gritos frenéticos de ''lindo'' e ''eu te amo'', elas tentavam justificar a opção pelo meia. Alegavam que não era só pela beleza do craque-galã que estavam ali. ''É um ótimo goleiro'', tentou elogiar a estudante Josi Bras, 24, que desconhecia a posição de Roger. Atencioso, Roger correspondia com autógrafos e poses para fotos.
Nos dois dias em que a delegação corintiana permaneceu na Cidade Canção, o clima foi esse. Torcedores se amontoavam na porta do hotel para tentar um contato com os ídolos, que pouco apareceram.
Seguranças e assessoria de imprensa blindaram os jogadores. Anderson e o goleiro reserva Thiago, que possuem parentes na cidade, podiam ser vistos com mais frequência. O restante, nem pensar.
Jornalistas tentavam em vão e a qualquer custo uma entrevista com algum galáctico. Hospedada no mesmo hotel em que estava o Corinthians, a reportagem da Folha, no entanto, teve um pouco mais de sorte. Em uma das descidas pelo elevador, estava o tranquilo técnico Daniel Passarella. Em uma conversa informal, o argentino, que estreou no Corinthians na quarta-feira, disse que o assédio da massa corintiana era maravilhoso e que não conhecia o Cianorte nem muito bem os seus comandados. Também reclamou que não teve tempo para conhecer Maringá. Com um sorriso e um aperto de mão, se despediu e foi para o restaurante almoçar com o restante do grupo.
Fortes sinais As coisas começaram a ficar pretas, literalmente, para o Corinthians logo na chegada ao estádio. Houve uma queda de energia e o vestiário do clube ficou sem iluminação. Sinal do que esperava o time pela frente. Nas tribunas, o alto escalão do clube, encabeçado pelo diretor de futebol, Paulo Angioni, e o vice-presidente Andrés Sanchez, além de Bittencourt, sofria com a mudança repentina de clima.
A clima ia ficando mais tenso conforme o tempo passava. A cada falha do time, a torcida que estava nas cativas se virava para as tribunas e despejava toda a ira no grupo, que, atônito, via a lua-de-mel virar divórcio.
Leia mais sobre a passagem dos galácticos sobre Maringá, o assédio dos fãs e a festa dos torcedores do Cianorte nas páginas 2 e 3.


