Rostos assustados, tímidos, envergonhados. Com expressões de quem estava querendo cavar um buraco e se esconder dentro por causa da inibição, cerca de 30 alunos e boxeadores da escola de boxe do Londrina Esporte Clube (LEC)/Fundação de Esportes de Londrina (FEL) participaram do 2º Festival de Pugilismo, realizado ontem, no Ginásio do LEC.
A vergonha tinha um motivo. A maioria dos alunos mostrava os aprendizados pela primeira vez em público. ''Teve gente que nem quis trocar de roupa'', lembrou o professor Miguel de Oliveira, um apaixonado pelo boxe e que há 24 anos comanda o esporte no clube.
Os futuros boxeadores integram o projeto futuro, da FEL, que trabalha com crianças carentes. Elas não pagam nada pelas aulas e recebem as roupas e os materias usados, como luvas, de patrocinadores da equipe. O trabalho começou a ser desenvolvido em março. ''Legalmente. Mas eu já faço esse tipo de trabalho desde 1976'', ressaltou Oliveira.
A novidade neste segundo festival em relação ao primeiro, realizado em dezembro do ano passado, é a presença das mulheres. Uma das meninas que venceram o preconceito e encararam o desafio de subir aos ringues foi Claudiane Alves da Silva, 13 anos. ''Todo mundo falava que era coisa de homem. Meus pais também não gostaram no começo, mas depois apoiaram'', disse. Ela também era uma das envergonhadas. ''Ah, no começo dá um pouco de vergonha''.
Entre os homens, a grande aposta é em um garoto que já começou vencedor. Henrique de Paula, 13, luta há menos de um ano e já é campeão paranaense. Mas o seu principal adversário está fora dos ringues. ''As vezes minha mãe não tem passe de ônibus para eu vir treinar'', contou. ''Mas ela me incentiva porque acha que posso ter um futuro melhor'', completou o garoto que, como a maioria, tem uma boa inspiração nos ringues. ''Ah, o Popó''.

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