O técnico da Seleção Brasileira, Mário Jorge Lobo Zagallo, já diz acreditar que o Brasil pode pegar a Itália, adversária na decisão da Copa dos EUA-94, na próxima fase da Copa do Mundo da França. Segundo ele, o Brasil vai fazer de tudo para ficar em primeiro lugar no Grupo A, ‘‘mesmo que para isso a gente acabe até enfrentando o adversário mais difícil .
Por adversário mais difícil, Zagallo entende ser a Itália. ‘‘Do jeito que estão as coisas, a Itália pode perfeitamente ficar em segundo. Caso o Brasil mantenha a primeira colocação no Grupo A, enfrenta o segundo colocado do Grupo B. No momento, após dois empates, as quatro equipes do Grupo B - Itália, Chile, Camarões e Áustria - estão empatadas com um ponto cada.
Apesar de Zagallo considerar a Itália o ‘‘adversário mais difícil’’, praticamente toda a seleção ficou decepcionada com a estréia da ‘‘squadra azzurra’’ na Copa, no empate com o Chile por 2 a 2. ‘‘O empate foi uma decepção. Esperávamos muito mais da Itália. Com esse resultado, o moral do time não deve estar muito alto’’, disse Aldair. O zagueiro brasileiro se disse surpreso com a má apresentação de titulares, ‘‘como o Di Matteo’’.
Aldair é um dos que mais conhece o futebol italiano, pois atua há várias temporadas na Roma. Também jogam na Itália André Cruz, Leonardo (ambos no Milan), Cafu (Roma), Edmundo (Fiorentina) e Ronaldinho (Inter). E todos esses jogadores acreditavam um pouco mais no futebol italiano. É verdade que o time deverá crescer muito de produção nas próximas partidas, especialmente ofensivamente, porque Del Piero vai retormar seu lugar de titular, possivelmente ao lado do velho Baggio e isso poderá melhorar consideravelemente a equipe italiana.
Para Zico, coordenador técnico do Brasil, a seleção italiana ainda ‘‘procura encontrar um padrão ideal’’. ‘‘Mas eles não tiveram seu melhor jogador, o Del Piero.’’
Zico elogiou a atuação de Roberto Baggio, que deu o passe para o primeiro gol italiano, conseguiu e cobrou o pênalti que deu o empate à Itália. ‘‘Em três lances, ele decidiu o jogo’’, afirmou.
Para Zagallo, o Chile merecia a vitória. ‘‘Todo mundo achou surpresa o Chile. Mas quem tinha de ganhar ali era o Chile, que jogou melhor. Isso mostra que não tem mais time bobo. Você não ganha o jogo antes de entrar em campo, como aconteceu inúmeras vezes com as principais forças do futebol mundial.’’
Mas tanto Zico como Aldair alertam que a seleção italiana costuma crescer no torneio. ‘‘Pelo tipo de preparação que eles fazem, sempre começam mal e vão melhorando durante a competição. A Itália tem estado muito irregular, mas eles já estão acostumados a superar fortes crises e nesse Mundial tudo pode continuar como antes’’, disse o zagueiro. Os únicos elogios do coordenador brasileiro foram para Camarões, que empatou com a Áustria em 1 a 1. ‘‘Gostei de Camarões. O time conseguiu manter o ritmo pelos 90 minutos. Tomou o gol no final por um erro de posicionamento dos dois zagueiros.’’
O ChileSobre o Chile, Zico destacou mais os valores individuais do que o conjunto da equipe. ‘‘Os aspectos individuais contaram mais contra a Itália. E o Salas só confirmou o que se esperava dele.’’
O atacante Marcelo Salas marcou os dois gols do Chile no empate com a Itália. Junto com Zamorano, ele forma a dupla Za-Sa, que marcou 23 dos 32 gols do Chile nas eliminatórias da Copa.
Para o time brasileiro, o Chile deveria ter sido o vencedor. Todos os jogadores ouvidos pela reportagem criticaram a marcação do pênalti que deu o empate à Itália, afirmando que o toque de mão do chileno na área não foi intencional.

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