Rio de Janeiro - Fluminense e Romário podem rescindir contrato até o final da semana. A situação de Romário nas Laranjeiras piorou depois que ele se envolveu em discussão pública com o técnico Alexandre Gama. Barrado no time, ele desafiou o treinador. Acabou sendo escalado no sábado, contra o Goiás, e o Fluminense perdeu por 4 a 1.
A diretoria, a princípio, está do lado do treinador, mas não cogitou uma punição a Romário. O presidente do Fluminense, David Fischel, admitiu que o jogador e o clube poderiam chegar a um acordo antes mesmo do término do contrato, previsto para dezembro.
Ontem, Romário treinou à parte do grupo, pela manhã, nas Laranjeiras. Ficou na sala de musculação, fez exercícios de bicicleta ergométrica e nem sequer cumprimentou Alexandre Gama.
A poucos metros, o técnico dirigia uma treino tático. Depois do trabalho, Gama concedeu entrevista em tom ameno. Disse que recebeu solidariedade de vários atletas do Fluminense no episódio, mas não citou nomes.
Sabe-se que um deles foi o meia Roger, aborrecido desde que Romário começou a desfrutar de regalias no clube: jogar sem treinar, não se concentrar para as partidas e viajar para outro Estado no próprio dia do confronto. Outro que certamente apoiou Gama foi o atacante Edmundo, ultimamente prestigiado no Fluminense.
Assim como Romário, Fischel preferiu evitar as entrevistas ontem. Deixou o celular desligado boa parte do dia.
A estratégia da diretoria do clube é tentar esfriar o assunto. Gama mesmo fez vários elogios a Romário e afirmou que não pretende deixá-lo entre os reservas em nenhuma partida. Ou é escolhido como titular ou não figura entre os relacionados para o jogo. ''Em respeito ao passado dele, jamais o deixaria como reserva'', garantiu o treinador.
Ele, no entanto, não antecipou se Romário atuará contra o São Caetano, domingo, no estádio Anacleto Campanella.
Na noite de domingo, Romário falou ao jornal O Dia que não estava disposto a deixar o Tricolor. Mas fez uma ressalva: a de que se acostumou ao longo da carreira a jogar em clubes onde era querido. Ele admitiu que pode procurar Fischel para uma saída ''amigável'' se não se sentir mais à vontade no clube. Ontem, ao deixar as Laranjeiras, Romário evitou a imprensa, com um sinal negativo com os dedos. Ficou de voltar hoje à sede do clube, para trabalho de reforço muscular.
Tristeza O elenco do Fluminense se reapresentou nas Laranjeiras na manhã de ontem. O clima entre os atletas era de apreensão e tristeza, por conta da crise que ronda o clube.
O meia Roger ressaltou a importância de uma recuperação imediata no Campeonato Brasileiro. ''Estamos tristes, sim, mas não podemos jamais perder a alegria de trabalhar. Temos que reverter este quadro já no próximo jogo contra o São Caetano'', disse o jogador, em entrevista ao site oficial do clube.

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