O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), examina hoje a fundamentação do pedido para cassar o mandato de Eurico Miranda (PPB-RJ), apresentado na semana passada pelo deputado Pedro Celso (PT-DF).
Se concordar com o argumento de que o presidente eleito do Vasco cometeu quebra de decoro parlamentar ao trocar no mercado paralelo o cheque de US$ 110 mil emitido em favor do clube carioca, Temer encaminhará sexta-feira a representação ao corregedor-geral, Severino Cavalcanti (PPB-PE).‘‘Eu vou aguardar o despacho do presidente Temer e dar encaminhamento ao processo com brevidade’’, garantiu Cavalcanti.
Pedro Celso alega que o dirigente do Vasco infringiu o artigo 233 do Regimento Interno da Câmara, que trata da ‘‘percepção de vantagens indevidas’’, ao agir em desacordo com a legislação do País.
Michel Temer deve aceitar o pedido. Nesse caso, a representação será encaminhada ao corregedor, que, por sua vez, submeterá seu parecer à Mesa da Câmara.
O processo de cassação só é iniciado se obtiver o aval dos deputados que compõem a Mesa da Casa. Nesse caso, o pedido é encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A palavra final sobre o mandato de Eurico ou de qualquer outro deputado dependerá dos 513 parlamentares que compõem o plenário da Câmara.
Embora tenha mais desafetos do que amigos na Câmara, é difícil prever o que ocorrerá com Eurico. Sua situação, hoje, está diretamente ligada às denúncias de que vier a ser alvo daqui para frente.
Se as CPIs do Futebol e da CBF/Nike conseguirem provar que ele enriqueceu de forma ilícita, seu mandato correrá risco. Já o fato dele ter recorrido ao mercado paralelo para trocar dólares não deve ser suficiente para que seus colegas opinem pela perda de seu mandato.
O que agrava a situação do deputado é o fato do Banco Central ter informado que não foi comunicado sobre essa transação.
O que é certo é que Eurico terá a seu lado os integrantes da chamada ‘‘bancada da bola’’. São os deputados dirigentes de clubes, como Zezé Perrela (PFL-MG), do Cruzeiro, ou ligados a eles. Unidos pelo corporativismo, eles devem se aliar para derrubar as iniciativas que prejudiquem o presidente do Vasco.

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