O técnico Bernardo Rezende, o Bernardinho, da seleção brasileira feminina de vôlei, admitiu ontem estar preocupado com o futuro da equipe a curto prazo. Após as três derrotas no primeiro quadrangular do Grand Prix Mundial, em Macau, o treinador viu os seus temores confirmados. ‘‘Todas as outras seleções estão treinando desde abril ou maio e agora será difícil encurtar a distância que nos separa delas’’, acredita Bernardinho, entrevistado pelo telefone diretamente de Kaohsiung, Taiwan. ‘‘Estamos passando por um processo de mudanças em que o trabalho é fundamental.’’
Com apenas duas semanas de preparação em Curitiba e desfalcado de jogadoras importantes como Fernanda Venturini e Ana Moser, que ficaram no Brasil, e Ana Flávia e Hilma, que se recuperam de lesões, o time acabou perdendo para as seleções da Itália, Japão e Rússia. ‘‘Estamos com uma equipe bastante diferente da que ganhou, por exemplo, a medalha de bronze na Olimpíada de Atlanta, em 1996’’, lembra Bernardinho, que não conta ainda com Márcia Fu e Ida, que deixaram a seleção depois dos Jogos do Centenário. ‘‘E para complicar ficamos fora de parte das competições internacionais do ano passado.’’
Bernardinho já mostrou que não precisa de desculpas para comprovar a sua competência à frente da seleção. No cargo desde o fim de 1993, o treinador levou a seleção a várias conquistas importantes, como o bicampeonato do Gran Prix, o vice-campeonato Mundial de 1994 e o bronze olímpico. Com exceção da Copa Montreux, em maio, o Brasil subiu ao pódio em todos os torneios em que foi dirigido por Bernardinho, atual campeão da Superliga Nacional, pelo Rexona/Paraná.
‘‘As derrotas de agora são a combinação de uma série de coisas, que vão desde o pouco tempo de treinamento até a ausência de atletas importantes’’, comenta o treinador. ‘‘Sempre há um preço a ser pago.’’
Pressão - Bernardinho admite que a equipe terá de enfrentar muita pressão para tentar vencer amanhã, a partir das 8 horas de Brasília, o Japão, na abertura do segundo quadrangular, na cidade de Fong San, em Taiwan. ‘‘O time terá de saber lidar com a pressão, já que qualquer vitória, a partir de agora, é fundamental para o nosso futuro na competição’’, explica o técnico, que definiu o time-base com Fofão, Karin, Raquel, Ana Paula, Leila e Virna. ‘‘Nosso objetivo é a preparação para o Mundial do Japão, em novembro, mas podemos deixar de lutar num torneio como o Grand Prix.’’
Além do Japão, as brasileiras vão enfrentar em Fong San as equipes da Coréia do Sul e de Cuba, atual campeã olímpica e mundial. ‘‘Todos os jogos serão difíceis’’, acredita Bernardinho. ‘‘Sei que vencer Cuba será mais complicado ainda.’’
Quase recuperada de uma lesão muscular, a meio-de-rede Ana Flávia acha que a seleção tem boa oportunidade de reabilitar-se no torneio. ‘‘O grupo ficou mais unido depois das derrotas e mostrou que é nas horas difíceis que a gente cresce’’, comenta Ana Flávia.

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