FUTSAL LONDRINENSE - Ex-jogadores resgatam época de ouro
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sábado, 30 de outubro de 2004
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
Recordar é viver. Grandes jogadores, técnicos e árbitros que fizeram parte da história mais rica do futebol de salão de Londrina as décadas de 60, 70, 80 e início de 90 estarão reunidos no dia 28 de novembro, na Associação Odontológica de Londrina, para relembrar os grandes momentos vividos nas quadras. O encontro entitulado ''Futebol de Salão - época de ouro'', reunirá nomes como Fuzil, Mineiro, Jarbas, Jadir, Índio, Osmar Obuti, Éder, Caio, Danilo, Milton Sciappina, Ivo, Roberto Pressinoti, Tuca, Futrica, Pelé, Mi, Mexicano, entre muitos outros que fizeram a história do esporte na cidade.
Para relembrar os bons momentos e falar do atual estágio do futsal na cidade, alguns desses craques conversaram com a reportagem da Folha. Um dos organizadores do encontro, João Tupinambá Damaceno, o Índio, 39 anos, disse que o encontro foi marcado com o objetivo de ''resgatar a época áurea do futebol de salão londrinense''. O encontro será realizado anualmente como forma de propiciar aos ídolos de muitas gerações a oportunidade de se reecontrar com antigos companheiros.
Muitos dos que estarão participando do encontro integraram as equipes que mais marcaram história na cidade: Monções e Cacique. A rivalidade cultivada por mais de 10 anos foi responsável por grandes duelos, que levavam ao delírio os torcedores nas dependências do antigo ginásio Colossinho. Era um período em que o futebol de salão era jogado por puro prazer e com muita técnica, bem diferente dos dias atuais, onde a força física prevalece em detrimento da habilidade.
Um dos grandes ídolos do futsal londrinense, Rosalvo Neves da Silva, o Fuzil, 50, observa que, diferente dos dias atuais, os jogadores tinham muita identificação com seus clubes. Eram vários anos defendendo uma mesma camisa e sem receber salário. No máximo, segundo o ex-jogador, as empresas ofereciam emprego ao atleta.
Fuzil conta que a rivalidade era mantida apenas na quadra. Fora dela, os jogadores eram e continuam sendo amigos. ''Ninguém se achava melhor que o outro. Por isso essas gerações ficaram tão marcadas.''
Luís Carlos Magalhães e Silva, o Mineiro, 54, ressalta que por muitos anos Londrina contou com os melhores jogadores de futebol de salão do Paraná. Foram vários títulos dos Jogos Abertos do Paraná (JAPs). Além disso, nas décadas de 70 e 80, a base da seleção paranaense era formada por atletas locais. Em 1972, com 90% de londrinenses, a seleção paranaense conquistou o título do Campeonato Sul-Brasileiro. Mineiro recorda que fez um gol de cabeça na competição, algo inusitado já que não era permitido gol dentro da área.
Jarbas Freire Barbosa, 50, que junto ao irmão Jadir defendeu por muitos anos a equipe da Cacique e da seleção paranaense, lembra que famílias inteiras iam ao ginásio para assistir aos jogos do Campeonato Citadino, muito disputado por garantir vaga no Campeonato Paranaense. ''Era muito equilibrado e difícil de conquistar o título'', comentou Barbosa, acrescentando que a imprensa teve papel fundamental nessa fase áurea do esporte local.
Rosasco Os quatro ex-jogadores concordam em um ponto: o melhor jogador da história do futsal londrinense foi Rosasco Fiori, que atuou na ala esquerda do Canadá Country Club e da Cacique. Mineiro, que atuava pelo rival Monções, lembra que Rosasco era ''extremamente habilidoso'' e tinha muita facilidade para driblar. Uma curiosidade é que apesar de jogar pelo lado esquerdo da quadra, Fiori era destro. ''Eu o comparo com o Falcão, jogador da seleção brasileira de futsal'', afirma Mineiro. Rosasco faleceu em outubro de 2003, vítima de um enfarto.


