Nas quadras de futsal as mulheres também tentam, com muito custo, conquistar seu espaço. No esporte há um pouco mais de facilidade para a formação de equipes, mas conseguir apoiadores e, principalmente, patrocinadores ainda é um grande obstáculo.
Em Londrina, por exemplo, existem equipes nas categorias de base e times amadores, mas nenhuma formação de nível profissional. Até o ano passado a cidade era representada pela equipe da Unopar, que conquistou títulos importantes, como a Liga Futsal, mas acabou sendo dissolvida.
Cintia Vieira da Silva é uma das jogadoras que fez parte dessa equipe. Ela conquistou três campeonatos paranaenses pelo time adulto e atualmente joga em uma equipe amadora. Aos 26 anos trabalha como instrutora de autoescola e já não vê mais a possibilidade de se profissionalizar no esporte. ''Ainda tem preconceito, falta de oportunidades e de investimentos. Mas quero continuar sempre jogando, só que mais por lazer mesmo''.
O time que Cintia faz parte é administrado pela Associação Proesp de Futsal e participa apenas de competições regionais. A intenção, segundo o vice-presidente, Dax Glauber, é que a equipe chegue ao nível profissional e participe, pelo menos, do Campeonato Paranaense. Algo que depende de incentivos. ''A maior dificuldade é conseguir patrocínio'', afirma Glauber.
Enquanto o patrocínio não vem, a equipe se vira como pode. Os treinos são realizados em Cambé, em uma quadra emprestada por aquele município. Além disso, as jogadoras fazem, de vez em quando, rifas para obter recursos. A Associação também tem o apoio da Faculdade Catuaí, Maximus Assistencial, Ávila Motos e Pompérola.
Além do time adulto, a Associação mantém outras três equipes de base (sub-15, sub-17 e universitário). Thatiely Machado é uma das promessas do grupo. Ela joga na categoria sub-17 e sonha em um dia se tornar uma grande jogadora de futebol. Ela reconhece que são muitas as dificuldades, mas acredita no seu talento. ''Eu acredito em mim, acho que jogo bem, independente do que vão falar''. A motivação dela também parte da família. ''Eu moro com os meus avós e eles me incentivam muito, desde que eu era pequena''.
Ter o apoio da família é fundamental, mas nem todas as atletas que escolhem o futsal ou futebol podem contar com isso. Coordenadora do Londrina Futsal Feminino (patrocinado pelo Colégio Nobel), que reúne atletas das categorias de base, Vanda Sanches reconhece que, apesar de ter sido minimizado nos últimos anos, o preconceito com relação ao esporte ainda existe. Em alguns casos por parte dos próprios pais. ''O trabalho de tirar o preconceito é de quem está por trás da equipe coordenando. Alguns pais só levam a filha para o treino depois que perceberam que o trabalho é sério'', declara Vanda, uma das principais responsáveis pela expansão da modalidade em Londrina.
Sobre patrocínio, Vanda acredita que o futsal leva um pouco mais de vantagem sobre o futebol pela quantidade maior de competições, mas que o problema não é exclusivo desses dois esportes. ''O empresariado geralmente opta por modalidades masculinas'', finaliza.

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