Poucos conhecem a fundo o futsal londrinense em seus mínimos detalhes como Edmilson Estigarribia. Aos 60 anos, este professor de Educação Física vive e respira a modalidade e, principalmente, o Palácio do Futsal. Coordenador técnico da Liga Londrinense de Futebol de Salão, onde está há 34 anos, ele conviveu com o final da época de ouro do futsal em Londrina, passou pelo auge do Palácio do Futsal e hoje acompanha uma fase nem tão gloriosa do esporte que já marcou época na cidade. Atualmente os clubes não possuem equipes adultas, as categorias menores sobrevivem graças ao esforço de alguns dirigentes, enquanto os times de bairros e a categoria feminina são as que mantém o calendário em dia. Edmilson conta um pouco daquela época e dos dias de hoje.
O início
''Entrei na Liga de Futsal na gestão do João Pívaro, logo após a inauguração do Palácio do Futsal, que foi em maio de 1976. De lá para cá já passaram 15 presidentes na entidade. Tudo começou em 1975, quando o Rubens Fernando Cabral realizava torneios de futsal na cidade e região. Naquela época estas disputas reuniam perto de 40 equipes. Eu fazia as chaves, tabela e horário dos jogos. O Palácio do Futsal ainda não tinha cobertura e o João Pívaro, o então presidente da Liga, precisava de alguém para ajudar ele. Eu disse que podia dar uma força e estou até hoje''.
O auge
''O Palácio do Futsal teve seus dias de glória. De 1986 a 1992 o ginásio vivia lotado nos jogos do Campeonato Citadino. A rodada começava às 20 horas e uma hora antes já tinha gente chegando em grande número. As arquibancadas ficavam lotadas para os jogos entre as equipes, que eram representadas pelos clubes da cidade, como Canadá, Grêmio, Iate, AREL, AABB, AFML, Londrina, além de equipes da região. Antigamente os clubes tinham condições de investir nos times, contratando jogadores, contando com a ajuda dos patrocinadores e apoio dos torcedores. Por isso a rivalidade era grande nos campeonatos e as rodadas de terça e quinta-feira eram sagradas para o público''.
Os jogadores
''As décadas de 60/70 foram de ouro para o futsal londrinense. Com a construção do Palácio do Futsal, em 76, alguns dos jogadores que fizeram história na modalidade ainda chegaram a jogar no novo ginásio, casos de Fuzil, seu irmão Futrica, Jairo, Jadir, entre outros. Na década de 80 surgiu uma nova safra de talentos como Wilton, Toninho Saito, Edinho, Waguinho, Ivo, Edu, Cleto, Caio, Rodney, Zé Augusto, Eduardo Corsini e Élber, que jogava pela AABB, mas logo em seguida foi para as categorias de base do Londrina e de lá para o exterior''.
Como é hoje
''Atualmente a Liga Londrinense de Futebol de Salão é presidida por José Valmir Moro e realiza campeonatos das categorias menores nas categorias fraldinhas (7-8 anos), pré-mirim (9-10), mirim (11-12) e infantil (13-14). Os times são, na verdade, de associações de bairros, como o Vivi Xavier, São Lourenço, Bembem, Afugel, colégios João Rodrigues e Nilo Peçanha, IIEL, Fênix, Igreja Metanóia, Tourné Turismo, Redenção, Brasil Futsal e Rolândia Country Club. Já no Feminino as equipes são: Sosu, Bembem, Fênix, IIEL, Colégio João Rodrigues, Afugel, Bom de Bola, Tubarão e Redenção''.
Palácio do Futsal
''Inaugurado em maio de 1976, o Palácio do Futsal completou 34 anos e hoje é apenas uma referência do que foi em anos anteriores. O dinheiro que entra é do aluguel da quadra, das taxas de inscrição dos campeonatos, da escolinha e algumas placas de publicidade. O que arrecadamos serve para pagar despesas como água, luz e a pintura da quadra. Além disso, de vez em quando alugamos o local para lutas de boxe, vale-tudo e igrejas. Precisamos de reformas na calçada principal que dá acesso ao ginásio, na fachada do ginásio, na instalação elétrica, na parte hidráulica, nos vestiários e na quadra, que está fora de padrão (ela mede 30 metros comprimento por 18 de largura) e hoje as medidas são de 42 x 24. É muita coisa a se fazer''.
Solução
''Com o dinheiro que arrecadamos o que se dá para fazer é a manutenção do local. Estamos terminando um projeto e vamos encaminhá-lo à Fundação de Esportes de Londrina, no sentido de obter recursos junto a este órgão municipal. Precisamos de manter o local em condições, até porque lá funciona a escolinha de futsal, sob o comando do professor Diogo Bembem. Desta escolinha também tiramos recursos para reinvestir nos problemas mais urgentes''.
Futsal atual
''Fora as equipes masculina e feminina que disputam o campeonato paranaense, não existe time adulto em Londrina. Antes os clubes tinham dirigentes e sócios que bancavam as equipes adultas no Campeonato Citadino, que nem existe mais. Hoje ninguém tem dinheiro para pagar jogador, já que muitos pedem cachê que chega a R$ 300,00, além de tênis. Já as categorias menores ainda funcionam, mas o jogador quando chega aos 14 anos vai para o futebol de campo, pois acha que lá terá mais futuro. E hoje Londrina tem mais uma entidade de futsal (Liga Metropolitana), que reúne os clubes sociais de Londrina nas categorias menores. É difícil prever campeonatos como os de antigamente. Além de não terem alguém para bancar, os clubes em sua maioria estão em situação difícil. O futsal adulto em Londrina morreu.''

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