Futebol vence discriminação e violência
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sábado, 15 de outubro de 2005
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
''Atenção comerciantes e empresários do ramo de material esportivo. Quem puder doar coletes de treino, camisetas, meias e até ajudar com uma bola de capotão decente, favor procurar o senhor Roberto José de Oliveira na escolinha de futebol do Colégio São José, Zona Oeste de Londrina. Qualquer contribuição é bem-vinda.'' Um anúncio como este é o que a escolinha gostaria de publicar em todos os jornais e emissoras de rádio da região, caso tivesse dinheiro para tal. No momento, a entidade localizada no Jardim Nossa Senhora da Paz, um dos bairros mais carentes da cidade e que sofre diariamente com a violência carece de tudo, só não da boa vontade por parte dos treinadores e garotos envolvidos no projeto.
Criada há 12 anos, a escolinha já revelou alguns talentos, como o meia Willians, que se profissionalizou em 97, passou pelo Coritiba e hoje atua no futebol grego; o volante Márcio Macalé, que começou na Portuguesa Londrinense e hoje joga no Maranhão; e o ala Cléverson Montesini, que optou pelo futsal e atualmente atua na Itália.
Porém, o trabalho nunca deslanchou porque não recebe apoio, afirma o técnico Roberto José de Oliveira, 33 anos, que é voluntário no Colégio Estadual São José, onde também comanda um trabalho de futsal com meninos e meninas. Ganhando a vida como porteiro de condomínio, o ''treinador'' reclama que faltam pessoas para ajudarem no projeto e patrocinadores para ao menos bancarem as bolas, redes (para as traves) e o uniforme da garotada. ''Acho que não temos apoio por causa da localização da escolinha. Sofremos discriminação pelo fato de estarmos num bairro que durante muito tempo foi favela'', afirma Oliveira, referindo-se à antiga favela Colosso, situada ao lado da indústria Bratac.
Até o ano de 2003 o local era alvo frequente da ação de criminosos. E devido às rixas com gangues rivais das favelas Pantanal e Vila Rica até o trabalho da escolinha acabou sendo prejudicado. ''Há alguns anos eu tinha crianças de todos os bairros da região, mas devido a essas brigas o risco aumentou e acabei ficando só com a meninada do Nossa Senhora da Paz'', explica Oliveira.
Apesar dos contratempos e da falta de incentivo, ele seguiu com o trabalho e no começo deste ano tomou coragem e montou um time infantil (14/15 anos) para disputar o Campeonato Criança em Campo, da Liga de Futebol de Londrina. E se deu bem: faturou logo na primeira participação o vice-campeonato, perdendo a final para o Grêmio dos Operários. ''O nível dos times era bom, mas fomos ganhando os nossos jogos e fizemos oito partidas até a final. A decisão eu nunca vou esquecer, porque foi a primeira vez que joguei num estádio, o VGD'', conta o lateral-esquerdo Luciano Pereira Roberto, 15.
O jogador da outra lateral, Douglas Generoso da Costa, 15, lembra que uma das dificuldades para poder jogar o Criança em Campo foi arrumar um uniforme, pois a escolinha não tem. ''Tivemos que pedir emprestado ao pessoal do Jardim do Sol, que não ia disputar esse campeonato''.
Outro problema foi angariar recursos para pagar a taxa de inscrição R$ 120 por time. ''Eles (Liga de Futebol) não perdoam. Sabem que muitas escolinhas como a nossa não têm condições de arcar com um gasto desse, mas exigem a taxa'', reclama Oliveira.
SERVIÇO:
Mais informações para doações à escolinha pelos telefones (43) 3338-8227 e 9944-2926.


