Aos 14 anos, o adolescente Carlos Augusto dos Santos já definiu o que vai ser quando chegar à maioridade: jogador de futebol. Como muitas crianças e jovens, Carlos Augusto também sonha com a fama e o sucesso proporcionado pelo esporte. Ele tem vários motivos para tornar seu sonho realidade. Morador da Favela do Jacaré, no Rio de Janeiro, o menino busca melhorar a qualidade de vida da família e ficar longe da marginalidade, presente no cotidiano de muitos jovens da periferia carioca.
O primeiro passo para atingir o objetivo já foi dado. Ele faz parte do ''Futebol Esperança'', equipe formada pelos melhores jogadores do 10º Campeonato de Futebol Infantil Masculino de Favelas do Rio de Janeiro, realizado no primeiro semestre.
A equipe está excursionando pelo Sul do País, com o objetivo de premiar os destaques da competição e facilitar o encaminhamento para as categorias de base dos clubes visitados. Depois de atuar em Ribeirão Preto e Curitiba, contra Atlético e Coritiba, a equipe chegou ontem a Londrina, quando fez um amistoso contra o PSTC, que terminou 0 a 0. Para hoje está previsto outro jogo, dessa vez, contra o LEC.
Organizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Arquidiocese do Rio de Janeiro, o Campeonato de Favelas foi criado há 10 anos com o objetivo de realizar um trabalho social de prevenção a drogas e a promoção da cidadania entre as comunidades carentes do Estado.
O supervisor do Futebol Esperança, coronel Amauri Faia, explica que a competição é realizada entre os meninos, de 13 a 15 anos, e entre meninas, na faixa etária de 15 a 17 anos. A competição masculina conta com 64 equipes e a feminina com 32, oriundas de favelas e comunidades carentes do Rio de Janeiro. São aproximadamente 1.720 adolescentes, que recebem vale-transporte e ticket-refeição a cada jogo. Os organizadores fornecem, ainda, todo material esportivo, incluindo dois jogos de camisa, para que os times possam competir.
Segundo o supervisor, as exigências para participar da competição são duas: ser morador das comunidades e estar matriculado na escola. Ele ressalta que alguns atletas que passaram pelo Campeonato de Favelas atuam em clubes profissionais e até mesmo em países da Europa.
Sobre os atletas que estão em Londrina, Faia disse que alguns demonstram ter potencial. ''São valores brutos que precisam ser lapidados'', comentou. O zagueiro Carlos Augusto foi um dos mais elogiados. ''Ele tem uma boa visão de jogo e qualidades que precisam ser trabalhadas'', afirmou sobre o menino que sonha em jogar no Santos e tem em Ronaldo um ídolo.
Outra promessa do Futebol Esperança é o atacante Luís Carlos Caetano Júnior, 14 anos, morador da comunidade de Manguariba. Mesmo não tendo idéia sobre a rotina de um jogador de futebol, Júnior está decidido. ''É o que mais gosto de fazer na vida. Vou ser jogador!'', pontuou.

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