Futebol suíço com sabor e cara de Londrina
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de maio de 2002
Ana Setti Reportagem Local 
O português, naturalizado brasileiro, Vasco de Almeida Martins chegou a Londrina em meados da década de 60. Trabalhando na área comercial, queria praticar um esporte que o ajudasse a espairecer, que servisse para seu próprio lazer e de seus amigos. Futebol seria a opção, mas não o do tipo tradicional.Pensava em alguma coisa mais gostosa e saudável, justifica Vasco.
Resolveu, então, improvisar. O primeiro rebento a nascer, no Iate Clube de Londrina, foi o futebol de sete, porque o campo pequeno permitia apenas 7 jogadores de cada lado. Logo, a novidade pegou e foi preciso ceder espaço para mais um jogador em cada time. Naturalmente, foi necessário também mudar o nome. Escolhi suíço, conta Vasco, inspirado no país, a Suíça, que é pequeno e livre, assim como a modalidade, livre das regras rígidas do futebol e que pode ser jogado num campo de dimensões bem menores, 40X60m.
Nascido para ser, acima de tudo, prazeroso, o futebol suíço convida ao toque de bola: poucos jogadores de cada lado; duração de dois tempos de meia hora cada; arremesso lateral que pode ser dado com as mãos e com os pés; liberdade para os goleiros irem e virem por toda a largura do campo, na frente de suas metas e, se não o melhor, com certeza o mais confortável, em vez de chuteiras, tênis.
Partindo do Iate Clube, em 1967, o futebol suíço espalhou-se pela cidade, ganhando fervorosos adeptos nos demais clubes e estimulando a formação de vários grupos fechados, que fazem do esporte uma ótima desculpa para o congraçamento. Vasco estima que, hoje em dia, existam mais de 100 campos de futebol suíço em Londrina e região. Acredita também que o esporte tenha alcançado outros Estados, como São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e até mesmo a capital do País, Brasília.
Não conseguiu, contudo, atingir os dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol, visando a regulamentação do esporte. Fui duas vezes à CBF, comenta, e, sem querer fazer trocadilho, não me deram bola nenhuma.
Com 69 anos de idade e jogando futebol suiço em time várias vezes campeão, Vasco não desiste fácil. Sua luta atual é reunir documentos e histórias de jogadores e grupos que fazem do futebol suiço seu esporte preferido há 35 anos. Vou me sentir realizado quando conseguir oficializar esse filho como natural de Londrina, afirma.


