Futebol sem estrelas no País da bola
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sexta-feira, 26 de julho de 2002
Agência Estado 
São Paulo - O título mundial conquistado pela seleção brasileira na Ásia, há menos de um mês, trouxe boas expectativas aos torcedores, jogadores e amantes do futebol. Muitos apostavam que o triunfo na Coréia e no Japão serviria como incentivo para melhorar o esporte no País e ajudaria a atrair o público aos estádios. Mas nada está mudando. Pelo contrário, o Campeonato Brasileiro depois do imbróglio das liminares começará em duas semanas apresentando o menor número de atrativos dos últimos anos. Sem dinheiro, os clubes se desfizeram das estrelas, não investiram e têm técnicos de pouca expressão.
As principais agremiações de São Paulo ainda conseguem se virar e manter treinadores de prestígio, como Carlos Alberto Parreira, Vanderlei Luxemburgo, Oswaldo de Oliveira e Emerson Leão. Mas quem já ouviu falar em Robertinho, do Fluminense, Arthur Bernardes, do Botafogo, ou Guto Ferreira, do Internacional-RS? ''Sem dúvida vai ser um dos campeonatos mais fracos tecnicamente'', afirmou Marcelo Portugal Gouvêa, presidente do São Paulo.
Muitos acreditam que a escassez de craques na competição pode ter efeitos positivos, como mais espaço para as jovens revelações. ''Alguém conhecia o Kaká no ano passado?'', perguntou o corintiano Parreira. ''O Brasileiro nunca é fraco. Os times mandam embora 10 ou 15 jogadores, mas depois outros 20 aparecem'', prosseguiu. ''No fim deste campeonato vão aparecer mais uns 10 ídolos como o Kaká.''
Os clubes optaram ou foram obrigados por dar prioridade ao caixa, à redução de despesas, ao pagamento de dívidas e não ao futebol. Afinal, estão à beira do abismo. Por isso, o Grêmio está reduzindo em 40% sua folha de pagamento, o Atlético Mineiro exigiu diminuição de salários de seus jogadores Marques, que ganhava R$ 95 mil, passará a receber R$ 50 mil. Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético Paranaense, atual campeão brasileiro, já anunciou que a única estrela de seu time, o volante Kléberson, campeão mundial com a seleção, deixará Curitiba.
Restaram poucos astros, como os goleiros Marcos, do Palmeiras, e Rogério Ceni, do São Paulo, o volante Vampeta e o meia Ricardinho, do Corinthians, o são-paulino Kaká, o flamenguista Athirson e o gremista Anderson Polga. Além de Romário, que ainda tenta acertar com alguma equipe. ''Não temos grandes estrelas, mas grandes nomes poderão surgir'', comentou o ex-jogador Neto, atualmente dirigente do Guarani.
Dezenas de jogos do torneio mais importante do País serão um verdadeiro desfile de anônimos. O Flamengo, que tem a maior torcida do Brasil, só conta com dois atletas conhecidos do público, o lateral-esquerdo Athirson e o goleiro Júlio César. O Botafogo só tem Dodô. A única estrela do Santos é o treinador Emerson Leão e o melhor jogador do Cruzeiro no momento é o novato Jussiê.
Por tudo isso, os dirigentes temem que o Brasileiro possa ser um verdadeiro fracasso de público, prejudicando ainda mais as finanças de seus clubes.


