Futebol, cultura, história e religião. Essa é a rotina do zagueiro Márcio Giovanini, de 29 anos, londrinense que joga no Veria (Bepoia, em grego), da Grécia. Entre um treinamento e um jogo, ele viaja para um aprendizado cultural e histórico sobre os primórdios da civilização em terras sagradas. ''Estamos em um lugar bíblico, uma terra sagrada e isso emociona muito, pois sou muito religioso'', afirmou o defensor. ''É um local citado na Bíblia, está lá, em Atos, 17'', continuou, citando o trecho bíblico em que a região onde mora é mencionada.
Veria está no local da antiga cidade de Beréia. Nela, pregaram o apóstolo Paulo e seu discípulo Silas. Tem também ligações com a Igreja Ortodóxica Grega. Capital da província de Imathia, Veria também é um centro comercial da Macedônia.
A cidade está encravada nas montanhas da região norte grega. Pequena e pacata, é famosa por ser uma local bom para a prática de esqui e difícil de deixar alguém no anonimato. ''É uma cidade pequena, onde todos se conhecem. Por isso, é difícil andar nas ruas sem ninguém te conhecer. O Veria tem um estádio pequeno, que sempre está lotado pela torcida'', descreveu Giovanini, que já morou em outra terra sagrada: Jerusalém, quando jogava no Maccabi Tel Aviv.
Mas esse apoio do torcedor não foi suficiente para impedir uma grande decepção. O time foi rebaixado para a Beta Ethiniki, a Segunda Divisão. ''O time caiu, mas ainda pode ficar (na Super League, a elite grega) porque querem aumentar o número de times na Primeira Divisão'', contou o zagueiro, já prevendo uma possível virada de mesa. ''Tem algumas coisas que precisam melhorar no campeonato, como seriedade, profissionalismo dos clubes, enfim, a honestidade do campeonato.''
Giovanini, que no Brasil já defendeu, entre outros clubes, o Coritiba e o Fortaleza, desembarcou na Grécia no começo do ano, como sendo uma das contratações do Veria para a difícil missão de fugir da degola. Não teve muito tempo para ajudar. ''Foram só dois meses de campeonato depois que cheguei e já estávamos em uma situação difícil. Foram três treinadores que passaram pelo time em três meses'', analisou, antes de lembrar que a diretoria quer sua permanência para a próxima temporada. ''Eram 14 estrangeiros e ficaram apenas com os dois brasileiros''. Um era ele próprio e o outro é o atacante Gelson, ex-Coritiba.
União de brasileiros
Bastante ligado ao Brasil, Giovanini, além da presença da esposa e da filha, nascida em Israel, contou com a ajuda de Gelson para superar a saudade da terra natal. Ele pede união entre os atletas brazucas que atuam no exterior. ''Essa união ajuda muito. Os jogadores que estão fora do Brasil tinham que ser mais unidos. Os argentinos e os africanos são bem unidos'', cobrou.
Ele aguarda um acerto com um time de um grande centro europeu e pode deixar o Veria. Enquanto isso, nas férias, aproveita ao máximo o tempo ao lado da família e dos amigos, seja em Londrina ou Curitiba. ''Quando estou por lá, não vejo a hora de voltar para o Brasil por duas coisas: família e comida. Estando lá, você perde datas importantes, você perde de compartilhar momentos importantes ao lado da família. Mas é o sacrifício que temos que fazer'', comentou.
Em meio à saudade, ele aproveita para aprender a cultura desta terra sagrada e histórica e os hábitos do povo local. ''É um pessoal muito parecido com o brasileiro, comunicativo. Na culinária, encontra-se muito queijo, aliás, queijos maravilhosos. Eles tomam muito café, comem muita carne de porco, mas também muito carneiro e adoram dançar'', descreveu, já com água na boca, mas fazendo questão de dizer que não substitui o brasileiríssimo arroz com feijão. ''Comida brasileira não tem igual''.

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