Futebol pé-vermelho na Escócia
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quarta-feira, 14 de maio de 2008
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
O futebol europeu está cheio de londrinenses. Uns mais famosos, outros menos. Uns mais badalados, outros menos. Mas um deles escolheu um outro braço do mundo da bola para ganhar a vida no Velho Continente. Renan Capra da Rocha, 25 anos, é sócio de uma empresa que cuida da carreira de jogadores com sede na Escócia, sendo responsável pela indicação de jogadores pelos quatro cantos do mundo.
Diferentemente do ex-jogador Binho, outro londrinense que atua como olheiro na Europa, Renan nunca esteve em campo profissionalmente. Quando ainda morava em Londrina, ajudava o pai Elias Máximo da Rocha, que era representante comercial.
''Eu estava farto da vida que levava no Brasil. Então, um amigo me convidou para vir para Glasgow (maior cidade da Escócia), porque ele me arrumaria um trabalho de cozinheiro ou garçon. Eu topei e vim'', contou o agente à Folha por MSN.
A vida de cozinheiro durou apenas um ano. O prazo em que demorou para conhecer a namorada e mudar de vida. ''O pai dela era diretor do Kilmarnock, um clube pequeno da Premier League da Escócia. Ele me perguntou se eu poderia indicar alguns jogadores para ele e foi então que eu comecei a vida de agente'', revelou. ''Depois disso, conheci muitas pessoas no meio do futebol e fui crescendo'', continuou, lembrando que está há três anos Europa.
Renan é certificado como treinador pela Federacao Escocesa de Futebol. Em setembro, fará a prova para se tornar agente Fifa. Assim, ele trabalha nas negociações entre jogadores e clubes e quem registra o acordo é um dos sócios, Alex Mclaughlin, que é escocês e agente Fifa. ''Trabalho basicamente com pedido de jogadores por parte dos clubes, por exemplo. Trabalhamos direto com os clubes aqui no Reino Unido, mas temos atletas em vários lugares, como Vietnã, Malásia e outros lugares. Atendemos 30 jogadores, sendo alguns de seleção, como Bayo Adefemi, da seleção Sub-23 da Nigéria, e Reginald Davani, da seleção de Papua-Nova Guiné (país localizado na Oceania)'', comentou.
Em Londrina, Renan até se arriscou no futebol. Foi juvenil da Portuguesa Londrinense. Na Escócia, fez testes no Stirling Albion, da Segunda Divisão. ''Meu pai foi jogador do Londrina e eu sempre fui muito ligado ao futebol. Mas ele jogou pouco tempo no profissional, acho dois anos apenas''.
Renan, agora, trabalha na tentativa de levar para a Inglaterra um garoto que fez muito sucesso no Brasil anos atrás. Jean Carlos Chera, agora com 12 anos, pode se transferir para o Manchester United. Ele despontou na Adap e depois foi para o Santos. ''Provavelmente ele vem em julho para uma temporada no Manchester'', revelou.
Ainda começando na carreira, Renan tem ambições e sonhos audaciosos. Quer ter seu próprio clube formador, além de ajudar o time do coração, o Tubarão. ''Penso um dia em montar um clube, como o PSTC, só para revelar jogadores. Mas isso ainda é um plano para um futuro distante. Também pretendo buscar um investidor para o Londrina'', concluiu.


