Futebol paulista domina as finais da década de 90
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de novembro de 1998
Agência Estado 
O futebol paulista já tem um time garantido na decisão do Campeonato Brasileiro deste ano: Corinthians ou Santos. A Portuguesa, que também começa a jogar hoje a fase semifinal da competição, briga pela outra vaga com o Cruzeiro.
Chegar à disputa do título não é novidade para as equipes de São Paulo na atual década. Será a oitava vez em nove anos que a final terá um clube paulista. Desde 1990, São Paulo só não teve representantes em 92, quando Flamengo e Botafogo-RJ brigaram pelo título.
Nas últimas oito edições do Brasileiro, três finais foram 100% paulistas - Corinthians x São Paulo, em 1990; São Paulo x Bragantino, em 91; e Palmeiras x Corinthians, em 94.
O feito vai se repetir caso a Portuguesa consiga eliminar o Cruzeiro, clube mineiro que desclassificou o Palmeiras nas quartas-de-final e evitou uma semifinal 100% paulista, fato que seria inédito na história dos Brasileiros.
Dos 16 participantes destas oito últimas finais, dez eram de São Paulo - Palmeiras (3 vezes), Corinthians (2), São Paulo (2), Santos (1), Portuguesa (1) e Bragantino (1).
O Palmeiras foi a equipe que mais venceu. Foram dois títulos (93 e 94). Corinthians e São Paulo ganharam um cada (90 e 91, respectivamente). Além de mais finais e mais títulos, o Palmeiras também lidera a década em outros quesitos em Brasileiros. O alviverde tem o maior número de vitórias (117), de pontos (343) e o ataque mais positivo (350 gols) desde 1990.
O fato de tantos paulistas chegarem às finais é um retrato do que se transformou o futebol de São Paulo nesta década, com muitos investimentos e patrocínios, explica Wanderley Luxemburgo, técnico do Corinthians e da Seleção Brasileira. Luxembugo foi quem mais venceu na década, com o bicampeonato do Palmeiras. Este ano, ele é o único que pode chegar a três finais no currículo, caso o Corinthians derrote o Santos.
Telê Santana, com o São Paulo (90 e 91); e Luiz Felipe Scolari, com o Grêmio (96) e o Palmeiras (97) também somam duas decisões no currículo nesta década. Não conheço de perto o futebol carioca ou mineiro, mas acredito que a diferença é que o futebol paulista é mais organizado, comenta Scolari, um gaúcho que chegou ao Palmeiras no ano passado. O Palmeiras é um clube profissional, me dá todas as condições de trabalho.
Pegando carona no sucesso dos clubes paulistas, Eduardo José Farah, presidente da Federação Paulista de Futebol, ganha impulso político para uma eventual candidatura à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no ano 2000.
Para não ser candidato, Farah espera, de Ricardo Teixeira, atual presidente da CBF, uma reestruturação do futebol brasileiro. O futebol no Brasil está desigual, afirma. O cartola quer dar, aos outros estados, o mesmo apoio que tem dado a São Paulo.


