O futebol paranaense está sendo investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado. Ontem foram quebrados o sigilo bancário e fiscal do Atlético Paranaense, do Coritiba, do diretor de marketing e futuro coordenador de futebol do Atlético, Mário Celso Petraglia, e do ex-presidente do Coritiba, João Jacob Mehl. Também estão sendo investigados outros 18 presidentes e ex-presidentes e seus respectivos clubes.
Petraglia evitou comentar o caso Youssef e a quebra de sígilo bancário e fiscal. A reportagem solicitou uma entrevista a assessora Mônica Santana, com o dirigente, e ela informou que somente o advogado Antônio Carlos de Almeida estava autorizado a falar.
‘‘Não entedemos o motivo da quebra sígilo bancário e fiscal do senhor Mário Celso Petraglia. Mas toda documentação estará à disposição da CPI porque ele não tem nada a esconder’’, disse Almeida dando declaração em nome do diretor de marketing atleticano.
Nos últimos quatro anos o campeão paranaense de 2000 negociou vários jogadores com o exterior. Os principais foram Alberto, Lucas, Warley, Adriano e Paulo Rink. Extra oficialmente o rubro-negro teve uma movimentação financeira com a venda de atletas na ordem de US$ 36 milhões, que no câmbio de hoje representaria algo em torno de R$ 72 milhões, sem contar o centroavante Oséas, vendido por R$ 6 milhões.
O deputado federal do PT do Paraná, Dr. Rosinha, membro da CPI da Câmara, admite que a sua comissão também está de olho nos dirigentes de clubes e que alguns poderão ser chamados para depoimentos, desde que se encaixem em alguns critérios ainda não definidos. Rosinha afirma que o parceiro do rubro-negro, o empresário Juan Figger, vai ser chamado. Ele tem requerimento para ser votado.
Marcus Aurélio Coelho, novo membro do Conselho Gestor e futuro presidente atleticano, evitou comentar sobre a quebra de sígilo bancário e fiscal do Atlético e apenas disse que o pensamento da diretoria estava expresso em uma nota que seria distribuída pela assessoria de imprensa do clube.
Mas Coelho opinou com relação à política interna e confidenciou que continua indefinida. ‘‘A data da reunião do Conselho Gestor não está marcada. Acredito que a reunião deva ocorrer nos próximos dias ou na próxima semana. Assumo no mesmo dia e não vejo nenhum perigo em assumir o clube neste momento difícil’’.
Doleiro – O empresário Alberto Youssef, doleiro de Londrina, acusado de lavagem de dinheiro, declarou na terça-feira passada, em depoimento ao Ministério Público, ter depositado um cheque de R$ 56 mil da Prefeitura de Maringá, entregue pelo ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolicchi, na conta do Clube Atlético Paranaense, entre 1994 e 1996. Ele não soube precisar a data correta.
Youssef disse ter tido uma relação comercial com o Atlético entre 1994 e 1996 e que emprestava dinheiro para várias pessoas físicas e jurídicas. Entre elas figuravam o Atlético e o ex-secretário Paolicchi. A operação de depósito de dinheiro da Prefeitura de Maringá na conta do rubro-negro foi a seguinte: Paolicchi pagou uma dívida e o cheque foi repassado para a conta do Atlético como empréstimo.

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