Futebol, Oscar e Surrealismo (Luiz Cláudio Oliveira)
Luiz Cláudio Oliveira
Futebol, Oscar e Surrealismo
Hoje, uma das grandes exposições internacionais de arte de 98 será aberta no Brasil. As obras do mais conhecido artista da corrente denominada surrealismo, Salvador Dali, estarão pela primeira vez à mostra no Brasil. Surrealismo é um movimento artístico, nascido na França, que se baseia na total espontaneidade, em que o artista, na hora de criar, não planeja nada por antecipação e deixa fluir o que vem à mente. Aposta no automatismo psíquico.
O leitor que vem a estas páginas, deve estar perguntando: e o que é que o esporte tem a ver com isso?
Em primeiro lugar, ninguém deve desprezar a Cultura. Mas a razão para invocar aqui o surrealismo são algumas declarações de dois presidentes de clubes em situação completamente diferentes, mas no mesmo jogo.
Ademir Adur, presidente em exercício do Atlético, time líder do campeonato, deixou fluir a psique e antes, durante e depois do jogo, meteu o pau na torcida atleticana, reclamando que ela não vai ao estádio e não compra as cadeiras para financiar a construção da nova Baixada.
Por outro lado, Marcos Alexandre, presidente da SAL, sociedade que gerencia o Londrina, time na lanterna do campeonato, também num exercício de espontaneidade, deixou escapar que da equipe que disputa o paranaense não deve ficar praticamente ninguém para o nacional da segunda divisão. Vamos contratar de novo um monte de jogadores para o segundo semestre, afirmou. Também revelou que o Londrina não se interessa muito pelo campeonato paranaense, que não dá dinheiro nem status.
Por caminhos diferentes, os dois presidentes reclamam da falta de apoio dos torcedores. Querem, sem refletir no que dizem, que os torcedores aceitem suas determinações sem questionamento. Os presidentes deveriam ser menos surreais, refletir um pouco e chegar à conclusão que deveriam ouvir mais os torcedores - que é por quem eles trabalham - e a imprensa. Se fizessem isso, saberiam que esse campeonato já nasceu deficitário a partir de sua fórmula esdrúxula.
Sou contra os campeonato estaduais e a favor de um calendário e uma organização mais racional do campeonato nacional e a adoção de campeonatos regionais. Mas já que o estadual está aí, a fórmula deveria ser a melhor possível. Não lutaram pela racionalidade, apoiaram a incompetência e agora choram por que?
O resultado da incompetência foi observado ontem, quando o clássico entre Paraná e Coritiba reuniu menos de 10 mil torcedores.
Dentro de campo, o jogo foi razoável no primeiro tempo, quando Reginaldo Vital comandou o time do Paraná, que só não saiu para o intervalo vencendo por 3 a 0 porque o goleiro Régis fechou o gol. No segundo tempo, Vital limitou-se a marcar e o Coritiba começou a atacar mais, mas completamente atrapalhado e sem força de conclusão.





