Futebol londrinense começou nos campinhos das vilas
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domingo, 09 de novembro de 2003
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Na última reportagem da série Grandes Times do Paraná,
a Folha mostra que muito antes do esporte se profissionalizar em Londrina, os times amadores empolgavam torcedores e revelavam jogadores que mais tarde jogariam nos clubes profissionais da cidade
Campos de terra batida. Traves feitas de bambu ou pedaços de madeira. Chuteiras com pregos no lugar dos cravos ou mesmo pés descalços. Bolas de capotão. Muito antes de se pensar em futebol profissional em Londrina a bola já rolava pelos gramados das vilas e foi por lá que tudo começou. O futebol amador foi o precursor do esporte bretão na cidade. De lá surgiram os clubes profissionais que fizeram a festa ou geraram o ódio no torcedor londrinense. Também nas peladas e torneios pelos campos da cidade despontaram grandes jogadores que fizeram história no cenário nacional.
O futebol amador de Londrina já empolgou a torcida e criou muita rivalidade na cidade durante o seu auge, nas décadas de 50, 60 e 70. Londrina, Ponte Preta, Atlético, Bandeirante da Vila Casoni, Grêmio da Vila Nova, Juventus, Portuguesa, Corintinha, São Paulo e muitos outros times já movimentaram os gramados ou terrões locais nos campeonatos organizados pela Liga de Futebol de Londrina (LFL), fundada em 1948 e que é reconhecida pela Federação Paranaense de Futebol (FPF). ''Era muito grande a rivalidade, ninguém gostava de perder. Os jogos eram sempre equilibrados. De vez em quando o pau comia. Eu mesmo era um cara que sempre arrumava confusão'', relembra Octávio Gianelli, o Limpa-Trilho, 61 anos, que foi presidente da Portuguesa durante 22 anos, LFL 10 anos e hoje é vice-presidente do órgão. ''Sabe quando eu paro de mexer com futebol? Só quando eu morrer'', garante.
''Era muito gostoso o futebol amador daquela época. Tinha campo em tudo quanto é lugar e a gente jogava muito. Eu ajudava meu pai no boteco e depois ia jogar'', rememora o advogado Miguel Antônio Ramos, 58, que foi juvenil no Londrina, mas não seguiu carreira.
O mais velho dos times é o Esporte Clube Londrina, que em 1937 já disputava suas peladas pelos campos da cidade.
A partir de 56 as atenções se voltaram para o profissionalismo, com a fundação do Londrina Futebol Clube, que mais tarde se tornaria o grande Tubarão, principal força do interior paranaense.
Em 59, a Portuguesa se profissionalizou e disputou o Norte Paranaense em 59, 60 e 61, quando voltou ao amadorismo. Em 97, a equipe de Santa Terezinha voltou ao futebol profissional e este ano foi rebaixada para a Série A-1 do Paranaense.
Em 64 um grupo dissidente do Londrina profissionalizou o São Paulo Futebol Clube, tradicional equipe amadora da cidade. O Tricolor disputou o Campeonato Norte Paranaense de 64 e os estaduais de 66 e 67. No ano seguinte passou a se chamar Paraná Esporte Clube, que teve apenas dois anos de vida. Depois da fraca campanha do time e do Londrina no Estadual de 69, diretores das duas equipes resolviram uni-las. Assim surgiu o Londrina Esporte Clube, em 70.
Em 83 surge um novo time na cidade: Café Esporte Clube, que sobreviveu apenas três anos.
Entre todos os times já formados em Londrina o Tubarão sempre foi o clube do coração do londrinense. O alviceleste foi três vezes campeão estadual (62, 81 e 92), campeão da Taça de Prata (80) e teve ótimas participações em campenatos nacionais e estaduais.


