Não é só de gelo que é feita a Islândia. A ilha tem geleiras, vulcões, gêiseres, grandes quantidades de águas termais, praias de areia preta e futebol. Isso mesmo, futebol. Quando a neve dá uma trégua, os times entram em campo e a bola rola para o Campeonato Islandês. É o que conta o volante Ítalo, 26 anos, paranaense de Palotina, radicado em Londrina, que jogou por lá até a metade deste ano.
De setembro a março o branco toma conta da Islândia. O país escandinavo fica debaixo de neve, o que justifica o nome Terra do Gelo - na tradução para o português. Os dias são mais curtos. O sol aparesce por volta de 10h30 e antes das 16 horas já se despede.
Nos outros cinco meses do ano o futebol é pra valer. ''É uma estutura impressionante para suportar as condições do clima. Tem que ser grama sintética. É muito frio e neve, muita neve'', contou Ítalo, que defendia o IBV da modesta cidade de Vertmannacyjar, uma pequena ilha ao sul do país. ''Lá não tem árvore, não tem insetos'', descreveu.
Ítalo ficou um ano na Islândia até vir embora no mês passado. ''Nosso time era líder do Campeonato Nacional, com uma ótima campanha (17 vitórias, dois empates e apenas uma derrota), mas vim embora para poder aproveitar a janela de transferências. No meu contrato havia uma cláusula dizendo que se eu fizesse pelo menos 20 partidas poderia rescindir sem pagar multa e foi o que aconteceu. Não queria ficar mais um ano por lá'', revelou.
Não era só o frio o adversário do apoiador. Ele já tinha enfrentado temperaturas muito baixas em outras ocasiões. Na Romênia, em 2005, ele também treinou debaixo de neve. Mas o isolamento do mundo foi o que atrapalhou mais. ''Eu morava em uma ilha de quatro mil habitantes e a cidade mais próxima ficava a três horas de barco'', contou. ''Não tinha o que fazer lá e o jeito era ficar o dia inteiro na internet''. A solidão só não era maior porque um outro brasileiro atuava no time, o atacante Cerdeira, que também deixou o clube na metade do ano.
Ítalo diz que a temporada na Terra do Gelo serviu para tirar lições e reforçar a bagagem cultural. Além de aperfeiçoar o inglês, também melhorou a mão na cozinha. ''Ah, não dava para comer lá, não. Então, eu pegava o dinheiro que era para pagar o restaurante, ia ao mercado, comprava os produtos e fazia a minha própria comida'', apontou o ex-jogador de futsal do Iate Clube de Londrina, que passou ainda por Atlético Paranaense, Malutrom, Flamengo, Madureira e Figueirense no Brasil.
Novo clube
O gelo e a comida ruim ficaram para trás. Ítalo acertou contrato com o Bradford City, da Terceira Divisão inglesa. Trocou a pequena ilha por uma grande cidade que tem a população equivalente à da Islândia e fica a 30 minutos de Manchester.
Ele apenas treina no Bradford, enquanto sua documentação não chega e conta os dias para poder jogar logo. ''Aqui é outra coisa. A visibilidade é maior, a vida é melhor, a cidade é mais interessante. Não vejo a hora de poder jogar logo'', disse o jogador, que aguarda a regularização da documentação para poder começar uma história nova na terra do futebol mais rico do mundo.

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