A volante Renata Costa, 20 anos, titular da seleção brasileira de futebol que conquistou a medalha de prata na Olimpíada de Atenas em 2004, esteve em Londrina no último domingo disputando uma preliminar da partida entre Portuguesa e Cianorte, pelo Campeonato Paranaense, no Estádio do Café. Ela participou de um jogo festivo entre uma equipe feminina local e outra de Maringá. Renata é de Assaí (36 km a leste de Londrina) e está passando as férias com a família na cidade. Seu pai, Antônio Costa, 56, que foi o primeiro treinador de Renata, é ainda hoje o técnico do time feminino de Assaí.
No último domingo, a jogadora pôde reencontrar no estádio várias colegas com as quais jogou entre 2000 e 2003, tanto pela Portuguesa Londrinense quanto pelo Seleto Clube, de Maringá. Passadas as primeiras convocações para a seleção brasileira, ainda em 2001, quando tinha 15 anos, Renata não deixou mais a equipe nacional. Ganhou títulos, passou por clubes famosos como o Santos e conseguiu se firmar como atleta, vivendo hoje apenas da atividade.
Hoje a assaiense defende o Botucatu, a principal equipe do País e atual campeã paulista e da Copa Brasil. Há dois anos na equipe, ela conta que hoje as principais jogadoras que atuam no País disputam o Campeonato Paulista, a competição mais organizada da categoria, com mais de 20 times divididos em duas divisões. Ainda não há um Brasileiro Feminino, anseio antigo das atletas que praticam a modalidade.
''Falta mais incentivo, não só da CBF, mas principalmente dos clubes grandes, que se recusam a manter times femininos. Por isso é que um campeonato nacional não decola. Daí as meninas que querem crescer um pouco vão todas para São Paulo, porque o campeonato é mais forte'', contou Renata. Segundo ela, o Paulista está repleto não só de paranaenses, mas também de gaúchas, catarinenses e jogadoras nordestinas.
Renata lamenta que o futebol feminino no Brasil seja lembrado apenas quando a seleção está disputando alguma competição importante. ''Ganhamos a medalha de ouro em Santo Domingo (2003), depois a prata na Olimpíada (2004). Após as conquistas todo mundo queria entrevistar a gente e falavam sobre a categoria das jogadoras brasileiras. Mas bastou passar um mês que a maioria se esqueceu do que fazemos'', reclamou.
Efeito Marta - Ela diz que a própria eleição de Marta - que hoje atua no futebol da Suécia - como a melhor do mundo pela Fifa, em dezembro, não ajudou a divulgar a modalidade como as atletas esperavam. ''Sabemos que a realidade no Brasil continuará de dificuldade para as equipes, pequenos patrocínios e poucos recursos para pagar salários'', queixou-se Renata. De acordo com ela, as atletas de maior evidência, ''com nível de seleção'', não ganham mais de R$ 1 mil por mês no Brasil.
Com pequenas chances de ver a carreira decolar no País, a paranaense não nega que um de seus sonhos é trilhar o mesmo caminho das brasileiras que hoje jogam no exterior - casos de Marta e das atacantes Pretinha (está no Japão) e Cristiane (Alemanha). ''Lá elas ganham em euros e os clubes têm uma estrutura profissional'', comparou.

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