Futebol feminino ainda aguarda as promessas
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sábado, 13 de agosto de 2005
Amanda Romanelli<br> Agência Estado 
São Paulo - Há quase um ano mais exatamente, no dia 26 de agosto de 2004 , elas pularam, gritaram e festejaram em Atenas. Mesmo sem o investimento milionário que os homens recebem, as mulheres igualaram o sexo oposto no degrau máximo que o futebol brasileiro já chegou em uma Olimpíada: ganharam a medalha de prata. Diante de tal feito, choveram elogios e manifestações de apoio. ''Só que as promessas feitas não foram cumpridas'', decreta a zagueira Juliana Cabral, 23 anos.
Tão logo a medalha de prata brilhou no peito das 22 jogadoras, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou que iria organizar um Campeonato Brasileiro. O pensamento era colocar as atletas em atividade no País e evitar a saída das meninas para o exterior.
Quase 12 meses depois e sem um campeonato nacional que, segundo a assessoria da CBF, não tem previsão de acontecer neste ano , sete jogadoras dentre as 11 titulares estão suando a camisa em gramado alheio. A atacante Marta, de 19 anos, eleita pela Fifa como a terceira melhor jogadora do mundo, continua no Umea, da Suécia a meia Elaine é sua companheira de time e Formiga também está por lá, mas jogando no Koppaberg. A meia Rosana joga na Áustria, Pretinha está no Japão, Cristiane na Alemanha e Daniela Alves está no fim do contrato com o americano Bay State Select.
Pelo menos, todas estão empregadas, ao contrário do que acontecia no ano passado. ''É uma passo a mais. Pelo menos estamos jogando e com patrocínio'', explica Juliana, atleta do São Paulo e titular da equipe vice-campeã olímpica. Assim como ela, as outras titulares estão no futebol paulista, único canto do País onde existe um campeonato organizado. A zagueira Tânia Maranhão também joga no São Paulo, a goleira Andréia é do Saad e a zagueira Mônica está em Araraquara, atual campeão paulista. ''Mas temos que dar graças ao Lars (Grael, secretário estadual de Juventude, Esportes e Lazer). Se hoje existe futebol no Brasil, é graças a ele.''
Sem o Campeonato Paulista, Juliana e a volante Daniela Alves jogavam futsal pela Sabesp. Pelo menos, havia um salário garantido. Com 21 anos, Daniela já é veterana e, por falta de incentivo, já chegou a ficar 9 meses parada. ''Chegou uma hora em que desisti de jogar bola.''
Defesa Supervisor das seleções femininas, Paulo Dutra defende a CBF. ''Não existe fórmula mágica. Como fazer uma competição se não há time? Sem clube, não há condições. Não tem interesse dos clubes, então não tem atividade. A CBF faz a parte dela, fazendo as convocações. Mas milagre não dá pra fazer.''
Seguindo na crítica aos clubes, Dutra lembra de um Brasileiro organizado em 2000. A cidade de Taubaté, no interior de São Paulo, recebeu um jogo de semifinal, entre Flamengo e Vasco. ''Mais de 3 mil pessoas foram ao estádio e a cidade ficou em polvorosa. Imagine se fosse um Corinthians e Palmeiras?''


