FUTEBOL FEMININO - Estrela da seleção volta ao Brasil
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domingo, 18 de novembro de 2007
Amanda Romanelli<br>Agência Estado 
São Paulo - A estrutura do campo de futebol do Parque da Cidade, em São José dos Campos, é simples. Dois bancos de reserva feitos de cimento, cobertos com telhas de amianto. O vestiário é pequeno, simples, sem luxo. Em um quiosque, perto do gol, as meninas do time de futebol da cidade guardam suas roupas e o material esportivo. Colocam o uniforme azul, pegam a bola e seguem para o treino. Entre as jogadoras do jovem elenco - média etária que não passa dos 20 anos -, está a Bola de Bronze da Copa do Mundo da China. Uma das 26 indicadas ao prêmio de melhor do mundo pela Fifa. É no time do Vale do Paraíba paulista que a atacante Cristiane, de 22 anos, joga desde o fim do Pan do Rio, em julho.
Em quase todo time, há uma estrela. Em São José, sem dúvida, é Cristiane. Mas na seleção, que defende desde os 15 anos, ela é coadjuvante de Marta, a atual melhor do mundo. Cristiane, porém, brilha em momentos decisivos. Não fosse um belo chute de sua canhota poderosa, o Brasil não teria vencido a Austrália por 3 a 2 e passado à semifinal da Copa da China. E, quatro anos atrás, no Pan de Santo Domingo, a atacante saiu do banco para decidir a medalha de ouro com um tento no golden goal - Brasil 2, Canadá 1. Fundamental para o Brasil foi também na Olimpíada de Atenas - artilheira da competição, com 5 gols, na campanha da prata, em 2004.
O currículo invejável faz de Cristiane uma das favoritas à finalíssima do prêmio da Fifa - no começo de dezembro, serão divulgadas as três melhores do mundo, que ainda tem como indicadas outras duas brasileiras: Daniela Alves e Formiga, do Saad. O título, mais uma vez, deve ficar com Marta. Mas Cristiane espera a sua vez. Sabe que corre por fora. Claro que tem sempre a jogadora que se destaca. Mas para que isso aconteça, existem outras 10.
Quando tinha 18 anos, Cristiane foi a primeira brasileira a se transferir para o futebol alemão. Ficou por lá dois anos e meio, atuando pelo Potsdam e Wolfsburg. Jogou pelo último time até antes do Pan. O contrato acabou e, para não ficar parada, voltou ao futebol brasileiro.
Mal teve tempo de treinar com a nova equipe e seguiu para o Mundial. Voltou da China e se apresentou quatro dias antes do início dos Jogos Abertos do Interior, na Praia Grande, competição mais importante do calendário do São José dos Campos - mas que pouquíssimos souberam que ela disputou. O time, porém, não foi longe. Terminou a disputa em 8º. Cristiane, contudo, deu autógrafos e tirou fotos com as adversárias.
Assim como boa parte das equipes femininas no País, o time é estatal. Cristiane ganha uma bolsa-auxílio do clube e do governo federal. Mora em uma república, com várias colegas de equipe. A fama da seleção não chegou completamente ao dia-a-dia, exceto pelo fato de ter sido informada, por um fã, que era indicada ao prêmio da Fifa.
Agora, quer usar a notoriedade e o tempo escasso em São José (seu contrato vai até dezembro) para ajudar o futebol da cidade. Virei um pouquinho de celebridade, né?, brinca, com o sorriso fácil que mostra o aparelho nos dentes.


