Era pouco mais de meio-dia e o sol estava castigando. 1º de maio, feriado em comemoração ao Dia do Trabalho, dia em que muitos trabalhadores tiram para passear com a família, ou aproveitar o fim de semana prolongado para pegar uma praia ou piscina. Mas não foi o que Sérgio Rodrigues, 29 anos, eleito o melhor jogador da final, escolheu para fazer. Ele é centroavante do time campeão do Jardim Califórnia e, assim como outros 2,2 mil jogadores amadores de Londrina e região, optou por passar o feriadão jogando futebol no Estádio da Café.
''Somos apaixonados por futebol. Jogamos todo domingo aqui e fora e a torcida nos acompanha sempre'', disse o atacante. Mesmo estando algumas dezenas de quilos acima do peso ideal para um matador, ele não se intimidou com o sol do meio dia foi defender as cores de seu time. Correu, caiu, lutou, bateu faltas, mas deixou o gramado antes do fim da partida. ''Pô, não é mole não. É o pior horário, mas fazer o quê? Ontem jogamos às 21 horas, hoje embaixo desse sol'', brincou o jogador.
Assim como o time dele, o Jardim Califórnia, outros 105 participaram do Torneio 48 horas Jogando Futebol, promovido pela Fundação de Esportes de Londrina (FEL) para comemorar o Dia do Trabalho, transformando a data numa verdadeira festa democrática do futebol. Nos quatro dias de evento, a organização conseguiu reunir todo o tipo de pessoas em um só lugar e com o objetivo em comum de confraternizar. Eram pobres e ricos, brancos, negros e amarelos, empregados e desempregados, gente boa e gente nem tão boa assim, novos e velhos, um pouco de tudo. Também, é óbvio, não faltaram os políticos. Tinha até deputado estadual com camisa falsificada de time de futebol. Justo eles que lutam contra a pirataria.
''Culturalmente somos o país do futebol e isso vem ratificar. É uma festa linda, uma grande confraternização'', comentou o diretor-técnico da FEL, Ariobaldo Frisseli, o Dedé, responsável pelo torneio.
As estruturas dos times também são bem diferentes umas das outras. Alguns, mal têm o uniforme para ir a campo, enquanto outras são tão bem estruturadas que chegam a causar inveja a times profissionais. Existem também equipes de famílias, que reúne somente parentes.
A festa se estende nas arquibancadas, com muita alegria, pagode e incentivo aos trabalhadores que deixaram seus afazeres de lado para comemorar seu dia no gramado.
Campeões O time do Jardim Califórnia, vice-campeão no torneio do ano passado, conquistou o título em 2006, depois de bater o Santa Rita C, na grande final, pelo placar de 2 a 0. O primeiro gol do Califórnia foi marcado por Sérgio, que aproveitou cruzamento de Douglas, aos 10 minutos do primeiro tempo. No final da etapa complementar, Juba marcou o segundo.
Na decisão do torneio feminino, a Lanchonete Susu, do Conjunto Cafezal, conquistou o título, ao vencer o Jardim Sabará, na cobrança de pênaltis, por 3 a 2.

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