São Paulo - O mundo sempre esperou um herdeiro de Pelé. Edinho, seu filho mais velho, optou por ser goleiro, frustrando o pai num primeiro momento, mas tendo depois respaldo para abraçar a carreira. Durou pouco. Precedido por sua fama a cada vez que entrava em campo, nunca encantou. E o herdeiro parou no meio do caminho.
O que a Agência Estado descobriu é que Pelé ainda sonha ver sua linhagem com a bola nos pés. Sabe que ninguém será como ele e até brinca com isso. ''A dona Celeste e o seu Dondinho fecharam a fábrica. Como eu, sei que o mundo não verá mais'', disse o Rei.
A verdade, contudo, é que os olhos de Pelé brilham quando o assunto é a possível opção de Joshua pelo futebol. Seu filho mais novo tem 10 anos. Pelé o teve com Assíria, sua atual mulher. O garoto nasceu no dia 28 de setembro de 1996, mesmo ano em que Pelé perdeu seu pai, Dondinho. Joshua tem uma irmã gêmea, Celeste.
Recentemente, o menino roubou a cena na partida do Santos com o Paulista, pelo Estadual. Entrou em campo de mãos dadas com o meia Zé Roberto. Foi a primeira vez de Joshua no gramado eternizado por seu pai. Aos poucos, Pelé apresenta seu mais novo herdeiro ao mundo. Até o ano passado, Joshua fazia aula de futebol na Hebraica, um clube de São Paulo.
Está na idade de se firmar ou deixar o esporte que imortalizou Edson Arantes do Nascimento para trás. ''As informações que recebo dos professores da Hebraica são as melhores possíveis. Dizem que o Joshua é bom de bola. Mas é claro que tenho de descontar muito disso, até mesmo porque sou pai'', comentou Pelé.
Na Vila Belmiro, Joshua mostrou-se ansioso. Nunca havia pisado no campo. ''Procurei tranquilizá-lo. Foi importante vê-lo lá, uma emoção.''
Ainda é cedo para esperar qualquer coisa de Joshua, até mesmo uma decisão. E Pelé sabe disso. ''Quando o Edinho me falou que queria ser goleiro, tentei de todas as formas fazê-lo mudar de idéia. Mas depois apoiei a escolha. Com o Joshua será igual. Vamos incentivá-lo no que ele quiser'', diz Pelé.
Se a decisão estivesse em suas mãos, como sempre estiveram em seus pés as principais jogadas do Santos e da seleção brasileira, Pelé não teria dúvidas de que Joshua seguiria seus passos no futebol. ''Como ex-atleta, é claro que gostaria muito de ver meu filho jogando futebol. Mas não posso tomar essa decisão pelo Joshua.''
Igual a Pelé, será difícil. Em 1950, com 9 anos, Pelé viu seu pai chorar após a derrota do Brasil para o Uruguai na Copa. Prometeu a Dondinho que ganharia um Mundial para ele. Oito anos depois, aos 17, lá estava Pelé na Suécia, erguendo o caneco com a seleção. Aos 22 anos ele já tinha 500 gols. Aos 29, fez o milésimo.
Essas marcas podem assustar Joshua Arantes do Nascimento, menino forte e de olhar meigo. Mas não deveriam. O mundo sabe que não existirá outro como seu pai.
Professor de futebol da Hebraica, Alexandre Chinelato conta que Joshua é bom menino, e sabe jogar. Tem na força física uma de suas qualidades. ''É um garoto que precisa melhorar fundamentos como qualquer outro de sua idade, mas tem noção do que faz.''
Joshua é pivô no futsal. Na Hebraica também faz judô. ''Num dos torneios que disputou, me pediu para usar a camisa 10. Queria depois levá-la para seu pai'', contou Alex.

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