São Paulo, 08 (AE) - A Soma (Sociedade Operadora do Mercado de Ativos S/A) - bolsa de valores brasileira que atua eletronicamente, com o auxílio de um sistema informatizado e sem necessidade do pregão - está dando início ao trabalho de arregimentação de empresas e fundos ligados ao futebol. De acordo com o diretor-geral da Soma, Romeu Paskuantônio, o objetivo é oferecer a essas empresas um ambiente de negociação de ativos (fundos de ações) diversificado. "Queremos tornar possível a capitalização das empresas dos clubes no mercado."
Segundo Paskuantônio, três empresas do ramo esportivo já estão registradas na Soma. São elas o Vasco da Gama Licenciamentos, que detém direitos de exploração da marca do clube, a Opportunity Bahia, que possui participação nos direitos de venda de ingressos de jogos do time e a Torcedor S.A, que tem direitos no fundo do Fluminense.
Origem inglesa - O modelo adotado pelas empresas registradas na Soma segue o padrão criado na Inglaterra nos final dos anos 80, em que algumas organizações, utilizando a marca dos clubes de futebol, passaram a atuar nos mais diversificados setores empresariais. A International Manchester United, por exemplo, é uma empresa que atua na área do entretenimento, enquanto a Chelsea Village Communications está qualificada no ramo do turismo. Manchester e Chelsea, bem como mais de 20 clubes das três primeiras divisões da Liga Inglesa, têm o capital aberto na Bolsa de Londres.
No entanto, o diretor entende que o processo de transformação dos clubes em empresas, como prevê a Lei Pelé - que teve o prazo de entrada em vigor prorrogado para a partir de março de 2001 -, ainda precisa amadurecer, já que muitos dirigentes e empresários desconhecem os mecanismos para a capitalização, o que explica a importância de algumas firmas de auditoria e consultoria que vêm atuando no Brasil. "Por isso, estamos promovendo um encontro para mostrar as oportunidades que os clubes têm de capitalizar-se", diz. "A idéia é que o simpósito seja realizado em janeiro, aproveitando a vinda de dirigentes estrangeiros para o Mundial de Clubes da Fifa."
As 207 empresas registradas na Soma têm como objetivo utilizar a bolsa eletrônica para valorizar suas ações, que terão mais visibilidade e, portanto, liquidez. "Assim que a S.A ligada ao futebol amadurecer e valorizar-se, estará pronta para lançar ações no mercado, um trabalho que, na Soma, será auxiliado pelos market makers (formadores de marcado), instituições financeiras responsáveis pela liquidez dos papéis", afirma Paskuantônio. Por enquanto, como as empresas do ramo esportivo possuem poucos investidores e ainda se estão organizando, os títulos não são negociados publicamente. "Ninguém é obrigado a subscrever ações
mas esta é uma forma interessante de captar recursos."

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